O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, de extrema-direita, invadiu o complexo da Mesquita de Al-Aqsa na Cidade Velha de Jerusalém Oriental ocupada — a terceira incursão no terceiro local mais sagrado do Islã neste ano — enquanto o exército de Tel Aviv prendia pelo menos 18 palestinos na Cisjordânia ocupada neste domingo (12/04).
A imprensa local, como o Times Of Israel, informou que o ministro, acompanhado de colonos e forças israelenses, realizou orações judaicas no local, o que não é permitido a não-muçulmanos como parte do acordo vigente desde 1967, embora judeus tenham permissão para visitar o complexo.
Um comunicado do Ministério das Relações Exteriores da Jordânia afirmou que considerou a visita do ministro israelense uma violação do acordo de status quo no local e “uma profanação de sua santidade, uma escalada condenável e uma provocação inaceitável”.
A presidência da Autoridade Palestina também condenou a invasão do complexo da mesquita — que se tornou mais frequente nos últimos anos. Em comunicado, a AP afirmou que a medida constitui uma violação flagrante do status quo histórico e legal no local sagrado, informou a agência de notícias palestina Wafa.
اقتحم وزير الأمن القومي الإسرائيلي، المتطرف إيتمار بن غفير، المسجد الأقصى برفقة مجموعة من المستوطنين، وأدّوا طقوسًا تلمودية داخل باحاته pic.twitter.com/5TtAmZVYTw
— موقع عرب 48 (@arab48website) April 12, 2026
Este local, onde se encontra a Mesquita de Al-Aqsa — o terceiro lugar mais sagrado do Islã — é considerado uma fonte recorrente de conflitos na Cidade Velha de Jerusalém. O território é administrado pelo Waqf de Jerusalém, um órgão administrativo do Ministério de Assuntos Islâmicos da Jordânia.
Ben-Gvir, que invadiu o complexo da mesquita pelo menos 16 vezes desde que assumiu o cargo em 2022, faz parte de um crescente movimento de colonos que deseja tomar posse da Mesquita de Al-Aqsa. O ministro israelense de extrema-direita expressou sua intenção de construir uma sinagoga judaica no lugar do local sagrado muçulmano.
“Hoje, sinto-me como o dono aqui”, disse Ben-Gvir em um vídeo gravado no local e divulgado por seu gabinete. “Ainda há muito a fazer, muito a melhorar. Continuo pressionando o primeiro-ministro [Benjamin Netanyahu] para que faça cada vez mais”, afirmou.
Vale lembrar que Israel fechou a Mesquita de Al-Aqsa ao público por 40 dias após o início da guerra contra o Irã, em 28 de fevereiro. Israel frequentemente impõe restrições, especialmente aos fiéis palestinos, e as autoridades israelenses também impediram as orações do Eid al-Fitr em Al-Aqsa este ano — a primeira restrição desse tipo desde a ocupação ilegal de Jerusalém Oriental por Israel, em 1967.
A mesquita foi reaberta em 9 de abril para os fiéis palestinos. Entretanto, no mesmo dia, colonos israelenses invadiram o complexo e realizaram rituais talmúdicos, sob a proteção da polícia israelense, informou a Wafa. A agência de notícias palestinas também afirmou que as autoridades israelenses estenderam em 30 minutos o período diário permitido para incursões de colonos israelenses.
Além das invasões à Mesquita de Al-Aqsa, as incursões israelenses continuaram por toda a Cisjordânia ocupada, com pelo menos 18 pessoas presas no domingo. Wafa disse que Israel prendeu seis palestinos durante uma operação no campo de refugiados de Dheisheh, ao sul de Belém. Uma criança e um jovem também ficaram feridos pelas forças israelenses durante uma incursão na cidade de Nablus.
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