
O candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) relatou quarta-feira (12) uma abordagem da Polícia Militar que considerou fora do padrão e intimidadora.
O episódio ocorreu na noite de terça-feira (11), por volta das 22h30, quando o petista chegava em casa, na zona sul da capital paulista, após participar de uma aula magna na Faculdade de Direito da USP.
Segundo Haddad, uma viatura da PM abordou seu carro de forma ostensiva, jogando luz no veículo e no rosto do candidato quando ele desceu. Os policiais não conversaram com ele nem pediram documentos. Em seguida, a mesma viatura perseguiu o motorista por cerca de 40 minutos, de maneira classificada pelo candidato como ostensiva e intimidadora. “Estava chegando na minha casa, por volta das 22h30, quando meu carro foi abordado por um carro da Polícia Militar de uma forma ostensiva, mas rápida”, contou Haddad durante evento na sede da OAB-SP. “Achei que fosse só uma ronda, mas depois soube que, em seguida, meu motorista foi acompanhado de uma forma intimidadora e por muito tempo.”
O advogado da campanha, Hélio Silveira, complementou o relato e afirmou que, durante a perseguição, o motorista estacionou em frente a um hotel próximo à avenida 23 de Maio para tentar entender o que estava acontecendo.
Ao perceber que a viatura permanecia no local, o funcionário foi conversar com os policiais, que apenas responderam: “Vaza daqui”.
No trajeto, o carro da PM chegou a encostar no para-choque do veículo, e o motorista relatou que os policiais portavam fuzis.
Haddad classificou o episódio como “desagradável” e reforçou que não se tratava de uma ação normal ou padronizada. “Não se pediu documento, nada”, afirmou e complementou: “Não sei o que aconteceu, espero e quero crer que tenha havido alguma confusão, mas meu motorista ficou muito assustado. Então vamos levar essas informações ao governo do estado para resguardar a segurança das pessoas que me acompanham e minha própria segurança”.
O candidato apontou ainda a necessidade de esclarecimentos formais sobre o ocorrido. “Pode ter sido uma coincidência, uma confusão, mas tem que haver no mínimo uma apuração para saber o que aconteceu. Espero que não seja nada. Se eu não torno público isso e amanhã acontece alguma coisa, não temos nem por onde começar.”
A campanha do petista informou que encaminhará as informações oficiais à Secretaria da Segurança Pública, pasta sob gestão do governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos), principal adversário na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes.
A SSP não havia se pronunciado oficialmente sobre o caso até o fechamento deste texto.
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Segurança no centro do debate
O relato do ex-prefeito ocorreu durante agenda na OAB-SP voltada à apresentação de propostas para a segurança pública. Haddad defendeu o uso intensivo de tecnologia no setor, destacando medidas como o registro de boletim de ocorrência via WhatsApp com validação digital, a criação de mapas de calor do crime por meio do cruzamento de dados para direcionar o policiamento e ações de prevenção ao feminicídio com base em dados hospitalares.
O episódio vem à tona em um momento no qual a segurança pública figura como um dos eixos centrais do debate eleitoral paulista. Haddad tem apresentado propostas alternativas à atual gestão, que incluem a criação de uma agência estadual antifacção, integração entre as forças de segurança e ampliação do uso de inteligência artificial e dados abertos no combate ao crime.
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