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Haddad equilibra disputa contra Tarcísio em SP, aponta pesquisa Atlas

Pesquisa AtlasIntel/Estadão divulgada nesta segunda-feira (30) revela um cenário mais competitivo do que o esperado para a disputa pelo governo de São Paulo em 2026. Fernando Haddad (PT) aparece com 42,6% das intenções de voto contra 49,1% de Tarcísio de Freitas (Republicanos), enquanto Simone Tebet (PSB), cotada ao Senado, soma 41,8% em cenário simulado.

Os números, com margem de erro de 2 pontos percentuais, indicam que a eleição paulista — a mais importante do país em termos de colégio eleitoral — pode ser decidida no segundo turno. O Estadão não apresentou simulações de segundo turno.

Largada forte de Haddad surpreende

Rovilson Britto

Para Rovilson Brito, presidente do PCdoB-SP, o desempenho inicial de Haddad é “surpreendente no sentido positivo”. “Chegar de partida já contando com mais de 42% mostra que é uma disputa equilibrada em São Paulo e que é possível vencer”, avaliou. O dirigente lembrou que Haddad já havia chegado a quase 45% no segundo turno de 2022, demonstrando capacidade de crescimento mesmo em um estado historicamente resistente ao PT.

Segundo Brito, a candidatura de Haddad representa “um projeto de esperança para o Estado de São Paulo, um projeto estruturante para a economia e para a sociedade paulista, coisa que esse governo [de Tarcísio de Freitas] não dá conta”. A aposta é em uma campanha que combine denúncia da gestão atual com proposta concreta de desenvolvimento.

Tebet: diálogo e perfil moderado como trunfos

A pesquisa também testou cenários com outros nomes do campo progressista. Simone Tebet, que se filiou ao PSB na última sexta-feira (27), aparece com 41,8% — apenas 7 pontos atrás de Tarcísio, caso disputasse o governo. Para Rovilson Brito, a ministra do Planejamento “cumpre um papel importante no projeto do presidente Lula de diálogo com os setores produtivos e de compromisso com um projeto nacional”.

A presença de Tebet na chapa majoritária — cotada ao Senado — é vista como estratégica para ampliar o arco de alianças. “É preciso ter uma postura ampla porque o governo do Tarcísio é um governo do não diálogo”, afirmou Brito. “A nossa candidatura precisa ser a candidatura do diálogo, que pode reunir desde os setores populares até setores econômicos interessados em uma boa administração”.

Fragilidades de Tarcísio: má gestão e ruptura com aliados

Na análise do dirigente comunista, as principais vulnerabilidades do governador residem em sua postura política e administrativa. “Ele é um governo do não diálogo. Não dialoga nem com a base de prefeitos que apoiam o governo”, criticou. Brito citou como exemplo a ruptura com Gilberto Kassab, após Tarcísio alterar a filiação do candidato a vice em sua chapa — movimento interpretado como “ingratidão e traição”. Promessas quebradas com prefeitos de não instalar praças de pedágio em suas cidades também causaram enorme mau-estar entre prefeitos da base.

Além da articulação política, Brito apontou fragilidades na gestão: “É um governo que mostra suas fragilidades administrativas e políticas”. Entre os pontos criticados estão a privatização da Sabesp, a política de pedágios, a precarização da saúde e da educação, e a “vista grossa” à evasão fiscal. “É preciso desmascarar Tarcísio, mostrar que é um governo de má gestão, além dos equívocos privatistas”, sustentou.

Cenários testados: todos apontam para disputa acirrada

A pesquisa AtlasIntel mediu quatro cenários para o governo paulista:

  • Tarcísio vs. Haddad: 49,1% a 42,6%
  • Tarcísio vs. Tebet: 48,8% a 41,8%
  • Tarcísio vs. França: 49,4% a 32,2%
  • Tarcísio vs. Alckmin: 48,4% a 41,4%

Em todos os casos, Tarcísio lidera, mas sem alcançar os 50% +1 necessários para vitória no primeiro turno. Kim Kataguiri (Missão) aparece estabilizado em torno de 5%, enquanto Paulo Serra (PSDB) não ultrapassa 2,1%.

Estratégia: unidade e projeto para São Paulo

Para Rovilson Brito, o caminho da vitória passa pela construção de uma frente ampla e pela apresentação de um programa claro. “É preciso apresentar um projeto de esperança para o Estado de São Paulo”, afirmou. O dirigente destacou que a campanha deve combinar denúncia e proposta: “Desmascarar Tarcísio” e, ao mesmo tempo, “apresentar um projeto estruturante para a economia e para a sociedade paulista”.

A análise do PCdoB-SP reforça que a disputa em São Paulo não é apenas local: é um capítulo central na batalha nacional pela reeleição de Lula. “O governo Tarcísio é um governo que, além de ser equivocado na sua política privatista, é um mau gestor”, concluiu Brito. “E isso tem se refletido em limites e fragilidades da sua candidatura”.

Com a campanha ainda em fase inicial e a entrada recente de Haddad na disputa, os próximos meses tendem a reconfigurar o cenário. A pesquisa AtlasIntel sugere que, longe de estar definida, a eleição paulista será um termômetro decisivo para os rumos do país em 2026.

De acordo com o levantamento realizado dos dias 24 a 27 de março, os paulistas que apontam a intenção de votar em branco ou nulo são 1,5%. Já os que não souberam responder são 0,6%. A pesquisa ouviu 2.254 eleitores de São Paulo por recrutamento digital aleatório e tem margem de erro de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-01079/2026.

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