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Hezbollah diz que acordo firmado por Beirute legitima ocupação israelense

O Hezbollah rejeitou neste sábado (27) o acordo de segurança assinado na semana passada entre os governos do Líbano e de Israel com mediação dos Estados Unidos. O grupo afirma que o texto legitima a ocupação israelense de partes do sul libanês e impõe concessões incompatíveis com a soberania do país.

Em declaração, o secretário-geral da organização, Naim Qassem, classificou o entendimento como “nulo e sem efeito” e acusou o governo libanês de aceitar condições favoráveis a Tel Aviv enquanto tropas israelenses continuam presentes em território nacional.

O acordo também enfrenta forte rejeição entre a população xiita do sul do Líbano. Centenas de milhares de moradores continuam impedidos de retornar às suas casas em áreas mantidas sob ocupação israelense desde a guerra iniciada em março.

Para o Hezbollah, a principal fragilidade do texto é justamente aceitar a permanência de tropas israelenses em território libanês. 

O entendimento prevê retiradas graduais de algumas áreas ocupadas, mas permite que Israel mantenha forças em uma chamada “zona de segurança”. O acordo condiciona novas retiradas ao desarmamento do Hezbollah.

Em declaração divulgada no sábado, Naim Qassem afirmou que o acordo legitima a presença militar israelense e transforma a ocupação em instrumento permanente de pressão sobre o Líbano..

A insatisfação também alcança setores importantes da representação política xiita.

O movimento Amal, principal força política da comunidade xiita fora da própria resistência e liderado pelo presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, também classificou o entendimento como desequilibrado e favorável aos interesses israelenses.

O Amal é um dos pilares do sistema político libanês e integra a ampla coalizão que representa parte significativa da população xiita do país. 

No Líbano, os principais cargos do Estado são distribuídos entre diferentes comunidades religiosas: a Presidência da República cabe tradicionalmente a um cristão maronita, o cargo de primeiro-ministro a um muçulmano sunita e a presidência do Parlamento a um muçulmano xiita.

Desde o fim da guerra civil, o país vive uma disputa permanente entre forças alinhadas ao Ocidente e à Arábia Saudita e correntes que defendem maior autonomia regional e mantêm relações próximas com a resistência palestina, a Síria e o Irã. 

O atual governo do presidente Joseph Aoun e do primeiro-ministro Nawaf Salam é visto pelos setores da resistência como mais próximo de Washington e das potências ocidentais.

Nesse contexto, a posição do Amal indica que a oposição ao acordo vai além do Hezbollah e alcança setores importantes da representação política xiita.

As críticas ganharam força após novos ataques israelenses no sul do Líbano. No sábado (28), um drone israelense atingiu a região de Nabatieh al-Fawqa, área situada fora da zona que Israel afirma controlar. 

O Exército israelense reconheceu a operação, alegando ter atingido um indivíduo que representaria ameaça às suas tropas, sem apresentar provas.

Para o Hezbollah, a continuidade dessas ações demonstra que o acordo não oferece garantias concretas para o fim das hostilidades nem para a retirada das forças israelenses.

Outro ponto de divergência é a relação entre esse entendimento e o memorando firmado em 17 de junho entre Irã e Estados Unidos para encerrar a guerra regional. O Hezbollah sustenta que aquele documento já previa o respeito à integridade territorial do Líbano e deveria servir como base para qualquer negociação posterior.

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