
Os houthis reivindicaram nesta quarta-feira (22) um ataque contra dois petroleiros sauditas que navegavam pelo Mar Vermelho. A ação abre uma nova frente de confronto envolvendo a Arábia Saudita, aumenta o risco para o transporte marítimo de petróleo e aprofunda a escalada da guerra regional.
Segundo Yahya Saree, porta-voz militar do Ansar Allah — nome oficial do movimento houthi —, as embarcações Encelia e Layla foram atingidas por mísseis balísticos e de cruzeiro, além de drones, por supostamente desrespeitarem o bloqueio naval imposto à Arábia Saudita no início da semana.
A agência oficial saudita SPA confirmou que o petroleiro Encelia foi atingido e sofreu um incêndio na parte dianteira da embarcação. Segundo as autoridades sauditas, todos os tripulantes foram retirados em segurança. A situação do navio Layla não foi detalhada por Riad.
Em comunicado divulgado pela emissora Al-Masirah, os houthis afirmaram ainda que obrigaram quase dez embarcações a abandonar suas rotas após transmitirem alertas por rádio.
O centro britânico United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO), responsável por monitorar a navegação na região, informou ter recebido o relato de um petroleiro atingido por um projétil, que provocou um incêndio combatido pela própria tripulação.
O ataque ocorre dois dias depois de o movimento iemenita anunciar um bloqueio marítimo contra embarcações sauditas. Os houthis justificam a medida como resposta ao bombardeio do aeroporto internacional de Sanaá pelo governo iemenita apoiado pelos sauditas, que buscava impedir o pouso de uma aeronave iraniana.
“Alvejamos os petroleiros sauditas Encelia e Layla por violarem a decisão de bloqueio emitida pelas Forças Armadas”, declarou Yahya Saree. Segundo ele, a operação foi realizada “com diversos mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro e drones”, provocando incêndios nas embarcações.
Petróleo sobe e mercado teme nova interrupção no comércio
A ofensiva elevou imediatamente a preocupação dos mercados com a segurança das exportações de energia, já pressionadas pela guerra de Trump contra o Irã.
O barril do petróleo Brent avançou quase 5% e voltou a superar os US$ 99, acumulando valorização superior a 30% desde o agravamento da guerra imperialista de Washington contra Teerã.
O ataque ameaça comprometer a principal rota alternativa utilizada pela Arábia Saudita para exportar petróleo à Ásia desde o fechamento do Estreito de Ormuz.
Atualmente, o petróleo saudita é transportado por um oleoduto que liga os campos produtores ao porto de Yanbu, no Mar Vermelho, de onde segue por navios que atravessam o estreito de Bab al-Mandab.
Segundo dados da consultoria Kpler, cerca de 4,9 milhões de barris diários de petróleo e derivados vêm sendo embarcados por essa rota.
Analistas avaliam que uma campanha prolongada dos houthis contra a navegação poderá reduzir significativamente o fluxo de petróleo pelo Mar Vermelho e aumentar a pressão sobre os preços internacionais da energia.
Trump ameaça ampliar ofensiva contra o Irã
Após o ataque, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a responsabilizar Teerã pelas ações dos houthis e afirmou que Washington imporá uma “grande punição militar” ao Irã caso ocorram novos ataques contra embarcações comerciais.
Embora os houthis integrem o chamado Eixo da Resistência, aliança regional apoiada pelo Irã, especialistas avaliam que o movimento mantém capacidade própria de decisão militar e política, ainda que receba apoio logístico, tecnológico e armamentos de Teerã.
Os ataques também colocam em risco a trégua informal mantida entre os houthis e a Arábia Saudita desde 2022, enquanto Omã tenta retomar negociações entre Riad e as diferentes partes envolvidas na guerra civil iemenita para evitar uma nova escalada do conflito.
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