
O deputado federal Inácio Arruda (PCdoB-CE) foi o convidado edição #104 do Entrelinhas Vermelhas desta quinta-feira (14), conduzida por Inácio Carvalho e pelo jornalista Iram Alfaia. De volta à Câmara, ele defendeu a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, criticou a pejotização, cobrou soberania sobre terras raras e alertou para a necessidade de eleger uma bancada progressista forte em 2026.
Fim da escala 6×1 e o risco dos penduricalhos
Arruda relembrou a PEC 231/1995, de sua autoria, que propunha a semana de 40 horas e foi arquivada por Michel Temer quando presidente da Câmara. Hoje o tema volta com força sob o lema “fim da escala seis por um”. O deputado alertou para o risco de emendas de última hora que possam descaracterizar o benefício para os trabalhadores mais vulneráveis e cobrou atenção ao texto que chegará ao plenário. “Ninguém indenizou os trabalhadores pela automação, pela robótica, pelo uso de inteligência artificial. Temos que ter muito cuidado com o tipo de penduricalho que se deseja colocar na matéria central”, afirmou.
R$ 23 bilhões em IA e grandes projetos estratégicos
Como secretário nacional de Ciência e Tecnologia, Arruda destacou o descontingenciamento do FNDCT, que passou a oferecer crédito a 2% ao ano e chegará a quase R$ 20 bilhões em investimentos em 2025. Entre os projetos estratégicos, citou o Reator Multipropósito Brasileiro para produção de radioisótopos, o laboratório de biossegurança máxima NB4 (Órion) e o Programa Nacional de Inteligência Artificial, com R$ 23 bilhões autorizados por Lula. “Sem ciência e tecnologia, sem domínio tecnológico, você não tem capacidade de ter soberania”, declarou.
Terras raras, dosimetria e a defesa da democracia
O PCdoB votou contra o projeto de lei sobre terras raras por entender que a legislação não garante explicitamente a soberania brasileira sobre a exploração dos recursos — o texto delega as decisões a um conselho sem fixar esse princípio na lei. Arruda citou a compra de uma empresa em Goiás por fundos com participação do governo americano como exemplo do risco concreto. Sobre a Lei da Dosimetria, aprovada pelo Congresso para reduzir penas de envolvidos nos atos de 8 de janeiro, o deputado foi direto: “O que querem é liberar bandidos que atentam contra a democracia. Isso exige a determinação do presidente e nossa de fazer uma bancada maior no Congresso”. A ADI impetrada pelo partido teve seus efeitos suspensos pelo ministro Alexandre de Moraes e aguarda o plenário do STF.
2026: reeleger Lula e Elmano, ampliar a bancada
Arruda avaliou que, apesar dos bons resultados do governo Lula, a polarização segue de natureza ideológica. Para ele, o desafio central é eleger uma bancada alinhada ao projeto popular — sem isso, o presidente governa dependendo de composições que travam sua agenda. No Ceará, defendeu a reeleição de Elmano de Freitas (PT) com pé no chão, valorizando a presença feminina nas chapas ao Senado. “Temos condições de ganhar, mas não devemos dormir de touca”, concluiu.
O programa Entrelinhas Vermelhas vai ao ar toda quinta-feira, às 17h, pelo canal TV Vermelho no YouTube e no Spotify do Portal Vermelho.
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