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Inflação nos EUA ultrapassa 4% meses antes das eleições legislativas

A queda dos preços do petróleo, em meio à retomada do tráfego comercial pelo Estreito de Ormuz, já começa a reduzir os custos da gasolina nos Estados Unidos. O problema da inflação, no entanto, está longe de ser resolvido, afirma reportagem do New York Times, publicada nesta quinta-feira (25/06), com base nos índices da inflação subjacente do país.

Dados do Departamento de Comércio divulgados nesta quinta-feira (25/06) mostram que o índice de preços PCE (Despesas de Consumo Pessoal) acelerou em maio, avançando 0,4% em relação ao mês anterior; e 4,1% na comparação anual. Trata-se da maior alta e da primeira leitura acima de 4,0% desde abril de 2023.

O Índice de Preços PCE é um dos principais indicadores de inflação dos Estados Unidos, acompanhado de perto pelo Federal Reserve (Fed), cuja meta inflacionária é de 2% ao ano.

Já a inflação subjacente nos Estados Unidos atingiu um ritmo anual de 3,4%. O índice mede a tendência real e de longo prazo nos preços, retirando do cálculo itens cujo valores variam bruscamente no curto prazo, como alimentos in natura e energia.

Segundo o NYT, as medidas para contenção da inflação subjacente pelo governo Trump já mostravam pouco progresso antes do início da guerra contra o Irã, em 28 de fevereiro.

Inflação nos Estados Unidos ultrapassa 4% meses antes das eleições legislativas
AgnosticPreachersKid -/ Wikimidia Commons

Custo de vida

Alan Detmeister, ex-integrante do Fed, estima que o Banco Central norte-americano levará pelo menos dois anos para atingir a meta inflacionária de 2% prevista pela entidade financeira. Segundo o economista, a inflação tem permanecido acima da meta durante a maior parte dos últimos cinco anos. “Os riscos à inflação estão todos apontando para cima”, avalia.

Ele destaca que o crescimento salarial tem permanecido contido, apesar da recente estabilização do mercado de trabalho. Detmeister, no entanto,  observa a redução do impacto das tarifas de Trump nos preços, registrado nos meses anteriores; e estima a possibilidade de desaceleração da inflação no setor imobiliário, além de um aumento da produtividade do setor tecnológico.

Frente à alta dos índices, o Fed encontra-se dividido em relação às medidas necessárias para garantir o compromisso de seu novo presidente, Kevin M. Warsh, de fazer a inflação retornar à meta de forma “inequívoca e unânime”. Uma das medidas é a elevação das taxas de juros, principal instrumento para controlar a inflação.

No entanto, aponta a reportagem, a alta poderia afetar “toda a economia” sem garantias de efeitos imediatos. Neste mês, a instituição financeira decidiu manter os juros estáveis pela quarta reunião consecutiva, mas há a expectativa de pelo menos uma elevação das taxas ainda este ano.

O aumento inflacionário tem outro agravante: ele ocorre meses antes das eleições legislativas de meio de mandato que ajudarão a definir a correlação de forças no Congresso pelos próximos dois anos. Em 2024, uma das promessas de campanha de Donald Trump foi, justamente, reduzir o custo de vida para os norte-americanos, tornando-o alvo dos candidatos democratas no pleito, em novembro.

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