A internet alcançou um novo marco no Brasil. Pela primeira vez, mais de 90% da população com 10 anos ou mais utilizou a rede, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua – Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) 2025, divulgada nesta quinta-feira (2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ao todo, 168,7 milhões de brasileiros — o equivalente a 90,5% dessa população — acessaram a internet nos três meses anteriores à pesquisa. Saiba mais na TVT News.
O resultado representa um crescimento de 1,3 ponto percentual em relação a 2024 e consolida uma tendência iniciada em 2016, quando apenas 66% da população utilizava a internet. Em nove anos, o acesso cresceu mais de 24 pontos percentuais, refletindo a digitalização acelerada da sociedade brasileira.
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A pesquisa também mostra que o celular segue como principal porta de entrada para o mundo digital, presente em praticamente todos os lares brasileiros, enquanto o acesso à internet avança em regiões historicamente menos conectadas, como a zona rural. Ao mesmo tempo, o levantamento revela desafios persistentes, como a exclusão digital entre idosos e pessoas sem escolaridade, além da crescente preocupação de famílias com a segurança online de crianças e adolescentes.
Mulheres lideram uso da internet; idosos avançam
Em 2025, as mulheres continuaram utilizando a internet em proporção ligeiramente superior aos homens. Enquanto 91,1% das brasileiras acessaram a rede, entre os homens o índice foi de 89,9%.
O acesso também varia conforme escolaridade. Entre pessoas sem instrução, apenas metade (50,1%) utilizou a internet. Já entre aqueles com ensino superior incompleto ou completo, os índices ultrapassam 97%, aproximando-se da universalização.
A faixa etária que mais ampliou o acesso foi a de pessoas com 60 anos ou mais. O percentual de idosos conectados passou de 70,1% para 74,5% entre 2024 e 2025, um crescimento de 4,4 pontos percentuais — o maior entre todos os grupos etários.
Mesmo permanecendo como o segmento menos conectado, os idosos registram uma rápida incorporação das tecnologias digitais. Em comparação com 2019, antes da pandemia de covid-19, o percentual praticamente dobrou, passando de 44,9% para os atuais 74,5%.
Segundo o IBGE, o avanço é explicado pela crescente digitalização de serviços bancários, públicos e de comunicação, além do envelhecimento de gerações que já utilizavam a internet antes de completar 60 anos.
Já entre crianças de 10 a 13 anos ocorreu um movimento inverso. O percentual de usuários caiu levemente, de 84,9% para 84,4%, sendo o único grupo etário a registrar redução. Para os pesquisadores, a queda pode refletir o fortalecimento das discussões sobre segurança digital infantil, além da restrição ao uso de celulares nas escolas e da entrada em vigor de novas regras de proteção às crianças no ambiente digital.
Celular domina acesso e compras online crescem
A pesquisa confirma o protagonismo absoluto do telefone celular no acesso à internet. Em 2025, 98,7% dos usuários utilizaram o aparelho para navegar na rede.
A televisão aparece como o segundo equipamento mais utilizado, alcançando 57,8% dos internautas, impulsionada pela popularização dos serviços de streaming. Em contrapartida, o uso do computador ficou em 33,4% e o do tablet em 9,2%.
O uso da internet tornou-se praticamente diário. Entre os brasileiros conectados, 95,6% afirmaram acessar a rede todos os dias.
As principais finalidades permanecem relacionadas à comunicação. Conversas por chamadas de voz ou vídeo lideram, utilizadas por 95,3% dos internautas. Em seguida aparecem mensagens por aplicativos (90,2%), assistir a vídeos e séries (89,3%), uso de redes sociais (84,9%) e ouvir músicas, rádio ou podcasts (83,7%).
Entre as atividades que mais cresceram destacam-se o acesso a bancos e instituições financeiras, utilizado por 74,2% dos usuários; as compras online, que ultrapassaram pela primeira vez metade dos internautas (52,7%); e o acesso a serviços públicos pela internet, utilizado por 41,1%.
Desde 2022, o número de brasileiros que utilizam serviços bancários digitais aumentou mais de 30 milhões de pessoas, enquanto as compras pela internet ganharam cerca de 22,5 milhões de novos usuários.
Cresce acesso nos domicílios, mas exclusão digital persiste
A pesquisa também mostra que a internet está presente em 95% dos domicílios brasileiros, totalizando 76 milhões de residências conectadas. O crescimento foi especialmente intenso nas áreas rurais.
Em 2016, apenas 35% dos domicílios rurais tinham acesso à internet. Em 2025, esse percentual chegou a 88%, reduzindo significativamente a diferença em relação às áreas urbanas, onde o índice é de 95,8%.
Apesar dos avanços, cerca de 4 milhões de domicílios permanecem desconectados. O principal motivo continua sendo a falta de conhecimento para utilizar a internet, citado por 36,5% dos entrevistados. Em seguida aparecem o alto custo do serviço (25,9%) e a falta de necessidade (25,2%).
Entre as pessoas que não usam internet, o motivo mais frequente também é o desconhecimento sobre como acessar a rede (44,9%). Entre idosos desconectados, esse percentual sobe para 66,5%.
Outro dado que chama atenção é o aumento da preocupação com privacidade e segurança digital. Esse motivo foi citado por 5,3% das pessoas que não utilizam internet, mais que o dobro do registrado em 2022. Entre crianças de 10 a 13 anos, a segurança aparece como a segunda principal justificativa para permanecer fora da rede, refletindo, segundo o IBGE, preocupações de pais e responsáveis.
Celular chega a quase todos os lares brasileiros
O estudo mostra ainda que 167,4 milhões de brasileiros possuíam telefone celular para uso pessoal em 2025, o equivalente a 89,8% da população com 10 anos ou mais — o maior percentual desde o início da série histórica.
Nos domicílios, a presença do aparelho tornou-se praticamente universal: 97,4% das residências possuem ao menos um celular.
Ainda assim, 19,1 milhões de pessoas seguem sem telefone móvel próprio. Entre elas, o principal motivo continua sendo não saber utilizar o aparelho (31,1%), seguido pela falta de necessidade (21,1%) e pelo preço elevado dos dispositivos (14,9%).
Assim como ocorreu com a internet, apenas a faixa de 10 a 13 anos apresentou queda na posse de celulares, passando de 56,7% para 55,2%, enquanto os idosos registraram o maior crescimento entre todas as faixas etárias.
Os dados da PNAD TIC mostram que a transformação digital brasileira continua avançando rapidamente, mas evidenciam que a inclusão digital ainda depende de políticas voltadas à alfabetização tecnológica, especialmente para idosos e pessoas com menor escolaridade, além do fortalecimento da proteção de crianças e adolescentes no ambiente online.
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