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Irã acusa EUA e Israel por crimes de guerra em ataques a usinas nucleares

O governo do Irã acusou os Estados Unidos e Israel de cometer crimes de guerra ao realizar ataques contra instalações nucleares iranianas e pediu à comunidade internacional que adote uma política de “tolerância zero” contra ações militares dirigidas a programas nucleares civis. A denúncia foi apresentada durante uma reunião especial do Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), nesta sexta-feira (05/06), em Viena, na Áustria.

Em comunicado, a delegação iraniana afirmou que Washington e Tel Aviv realizaram 17 ondas de ataques contra instalações nucleares protegidas do país ao longo de 2025 e 2026. Segundo Teerã, as ofensivas constituem atos de agressão e representam uma grave violação do direito internacional, envolvendo tanto a responsabilidade internacional dos Estados quanto a responsabilidade criminal individual dos autores dos ataques.

A delegação iraniana criticou a posição dos Estados Unidos na AIEA, afirmando que Washington se opôs a duas resoluções da Conferência Geral do organismo que defendiam a proibição de ataques contra instalações nucleares pacíficas. Ambas as propostas foram apresentadas pelo próprio Irã.

Irã acusa EUA e Israel por crimes de guerra em ataques a usinas nucleares
Hossein Heidarpour / Wikimedia Commons

Usina de Bushehr

Segundo Teerã, os recentes bombardeios representam uma repetição de práticas já condenadas pela comunidade internacional. A denúncia aponta que a Resolução 487, aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU em 1981, condenou ataques a instalações nucleares e determinou que Israel se abstivesse de ações semelhantes no futuro.

Um dos episódios mais graves destacado pelos representantes iranianos teve como alvo uma estrutura localizada a apenas 350 metros da Usina Nuclear de Bushehr, principal complexo nuclear do país, ocorrida em março deste ano. Localizada na costa iraniana do Golfo Pérsico, a cerca de 770 quilômetros ao sul de Teerã, a usina possui uma unidade em operação e outras duas em construção, abrigando milhares de quilos de material nuclear.

Na época, o diretor-geral da AIEA, Rafael Mariano Grossi, afirmou que um impacto direto na usina poderia provocar uma “liberação muito alta de radioatividade no meio ambiente”, acrescentando que embora não tenha havido danos, “qualquer ataque em ou perto de usinas nucleares viola os sete pilares indispensáveis ​​relacionados à garantia da segurança nuclear durante um conflito armado e jamais deveria ocorrer”.

Em paralelo, informa a agência Tasnim, os representantes permanentes do Irã, China e Rússia junto à AIEA reuniram-se em Genebra com o diretor-geral da agência, Rafael Grossi, para discutir temas que deverão ser debatidos na próxima sessão do Conselho de Governadores.

 

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