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Irã descarta negociações com EUA e fala em responder ‘com total força’

Matéria atualizada às 16h53

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou nesta quarta-feira (15/07) que Teerã não tem planos de se envolver em negociações com os Estados Unidos e está focada exclusivamente na defesa do país. A posição foi dada a repórteres, em meio a violações norte-americanas do Memorando de Entendimento (MoU) mediado pelo Paquistão. 

“Nossos compromissos permanecem em vigor apenas enquanto o outro lado cumprir suas promessas”, disse Baghaei, destacando o princípio da reciprocidade na abordagem iraniana sobre o MoU. “Dissemos desde o início: compromisso em troca de compromisso. Cumpriremos nossas obrigações enquanto o outro lado cumprir as dele. Depois que a outra parte violou suas obrigações, também nos abstivemos de implementar as nossas em qualquer área onde fosse exigido”.

Nos últimos dias, o Exército norte-americano tem deflagrado várias rodadas de ataques aéreos contra o sul do Irã. Em resposta, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês) lançou uma retaliação, atingindo dezenas de alvos militares de Washington estabelecidos em países da região do Oriente Médio, como Kuwait, Bahrein e Jordânia. 

De acordo com as autoridades iranianas, as agressões norte-americanas mataram ao menos 30 civis no país, enquanto 260 ficaram feridos. Já o Ministério da Saúde do país persa informou que, somente neste mês, pelo menos 35 pessoas foram mortas e 300 ficaram feridas nos ataques conduzidos pelos Estados Unidos. As províncias que sofreram os maiores danos foram Hormozgan, Sistão e Baluchestão, e Khuzestan.

Segundo o porta-voz da chancelaria iraniana, neste momento, o país está “focado apenas na defesa”.

“Nossos combatentes responderão com total força às agressões dos Estados Unidos, e em outras cláusulas do memorando, onde quer que tivéssemos compromissos recíprocos, não os implementamos”, ressaltou Baghaei. “Não há dúvida sobre defender o país. Nossas Forças Armadas responderão com toda a sua força (…) quando eles atingem, eles também são atingidos”.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou que Teerã não tem planos de se envolver em negociações com os Estados Unidos
Wikimedia Commons/Foad Ashtari

Irã está ‘sempre pronto para combate’

Da mesma forma, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, principal negociador das tratativas que estão paralisadas em meio às agressões norte-americanas, afirmou que se Teerã não se beneficiar do memorando de entendimento com Washington, não há razão para cumpri-lo.

“O memorando de entendimento é significativo quando suas cláusulas são válidas e implementadas. Caso contrário, se a República Islâmica do Irã não se beneficiar deste texto, também não temos motivo para aderir a ele”, apontou. “Como estamos testemunhando atualmente, nossas Forças Armadas, como sempre, têm total liberdade de ação para enfrentar a agressão do inimigo”.

Em relação à defesa, o presidente do Parlamento endossou as palavras do porta-voz da chancelaria Esmail Baghaei ao sustentar que a nação iraniana deve “estar sempre pronta para o combate e defender sua segurança e interesses nacionais até a morte”.

“Antes de tudo, devemos saber que estamos em uma guerra essencial e existencial com os Estados Unidos, cujo objetivo, além de derrubar o sistema sagrado da República Islâmica do Irã como principal pilar da frente da verdade, é desmembrar nosso amado país, o Irã. Essa estratégia do inimigo não mudou”, afirmou. “Os Estados Unidos, sempre que podem, buscam atacar o Irã e promover seus próprios interesses, e isso não se limita à guerra, negociação ou ao atual presidente norte-americano”, denunciou.

De acordo com ele, não existe outra alternativa que não seja confiar nas capacidades nacionais. Recordou ainda que a união do povo foi capaz de derrubar “o plano sinistro do inimigo na Guerra dos 40 Dias”, forçando os agressores a pedir um cessar-fogo.  “Os Estados Unidos sempre tiveram uma atitude arrogante e nunca aceitarão um Irã forte”, alertou Ghalibaf.

“Nunca admitimos e nunca admitiremos guerra, mas devemos sempre estar preparados para o combate e defender nossa segurança nacional e interesses até a morte. Além disso, também devemos usar os instrumentos da diplomacia e da negociação para materializar e consolidar os interesses nacionais”, concluiu o alto funcionário.

(*) Com RT en Español

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