Os governos do Irã e de Omã concordaram em continuar as negociações políticas e técnicas voltadas para definir esquemas de segurança marítima e futuros acordos de navegação no Estreito de Ormuz. O anúncio foi feito neste domingo (12/07) pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, após uma reunião de alto nível entre as delegações realizada na capital omanense.
As conversas bilaterais foram contaram com o chanceler iraniano Abbas Araghchi e seu homólogo do Sultanato de Omã, Al Busaidi. O tema principal foi a coordenação dos mecanismos de trânsito pela rota comercial estratégica, sob a premissa comum de que a administração da navegação corresponde exclusivamente aos Estados costeiros que fazem fronteira com o estreito.
“Qualquer futuro quadro que rega a navegação pelo Estreito de Ormuz deve ser elaborado por meio de consultas diretas entre Irã e Omã, levando em conta as sérias implicações de segurança decorrentes da mais recente rodada de agressão entre EUA e Israel”, declarou Baghaei.
A Autoridade de Assuntos do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA) do Irã também reiterou neste domingo que, por “movimentações ilegais” das forças militares norte-americanas, o tráfego marítimo pelo Ormuz foi suspenso até que seja emitido um novo aviso de reabertura.
“Assim que a estabilidade e a calma forem restauradas, todas as solicitações serão revisadas de acordo com o cronograma estabelecido e as permissões necessárias serão emitidas”, observou o órgão, que ressaltou que a única maneira de obter uma permissão para o trânsito pela via navegável é por meio de solicitação em seu site oficial.
O anúncio veio após a Marinha do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês) declarar o Estreito de Ormuz fechado temporariamente e até que os Estados Unidos encerrem sua intervenção militar na região. O IRGC afirmou que a decisão de suspender o tráfego ocorreu após embarcações norte-americanas cometerem repetidas violações ao tentarem usar uma rota não autorizada no estreito.
Segundo a força, uma embarcação dos Estados Unidos desativou seus sistemas de rastreamento ao fazer seu trajeto, colocando a segurança marítima em risco. O IRGC alertou que qualquer tentativa de Washington de explorar o incidente como pretexto para cometer novas agressões militares contra o país persa seria recebida com severa retaliação em ataque a bases militares norte-americanas na região.

Tasnim
Em entrevista ao Meet the Press da emissora NBC, o presidente Donald Trump afirmou que o Estreito de Ormuz “está aberto” ao tráfego comercial. No programa, o republicano descreveu as lideranças iranianas como “pessoas muito más e doentes”, alegando que no sábado (11/07) a delegação persa “concordou com um acordo”.
“É um acordo perfeito para nós. Nada de nuclear, nada disso, nada daquilo, nada. Eles abriram mão de tudo. E depois disso, eles saíram da sala. E então, em menos de uma hora, lançaram um drone contra uma nave. Eu disse: ‘Vocês estão doentes. Vocês são doentes’”, distorceu Trump. O mandatário omitiu que o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM, na sigla em inglês) reivindicou inicialmente os ataques contra o sul iraniano para “debilitar” suas capacidades no Ormuz.
Neste domingo, as forças norte-americanas seguem atacando o Irã. O governador de Qeshm, Hossein Amir Teymouri, informou que de 10 a 11 “projéteis inimigos” atingiram a ilha de Qeshm, mas que nenhuma vítima foi registrada. Os comentários foram reportados pela agência estatal IRNA, que também relatou explosões na cidade portuária de Bandar Abbas.
Já segundo a Tasnim, os sistemas de defesa aérea do IRGC interceptaram e destruíram um míssil de cruzeiro dos Estados Unidos próximo à cidade ocidental de Khorramabad, na área de Dareh Nasb.
(*) Com Tasnim e Telesur
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