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Irã não se curva à intimidação dos EUA, diz presidente após novas falas de Trump

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, manifestou nesta quinta-feira (19/02) que seu país não busca um confronto armado com os Estados Unidos. No entanto, reiterou que não aceitará pressões externas. 

“Não queremos brigar. Acho que deveríamos deixar a guerra de lado, mas se quiserem nos forçar, devemos ceder a qualquer custo? Acho inaceitável que o Irã esteja se curvando”, disse o mandatário do país persa durante uma reunião com intelectuais e ativistas culturais da província de Lorestan. 

Durante o encontro, Pezeshkian apontou para as intenções reais dos Estados Unidos ao lembrar que as autoridades norte-americanas expressaram anteriormente seus interesses públicos nos recursos petrolíferos de outros países. O presidente iraniano, nesse contexto, defendeu a soberania nacional e defendeu que “não é justo que o povo desta região se curve à intimidação”.

O chefe de Estado iraniano também abordou os problemas internos que culminaram em protestos massivos no país em dezembro passado, enfatizando que pressões econômicas e políticas não devem se acumular para gerar descontentamento social. Segundo ele, os desafios devem ser enfrentados com “soluções concretas” e com a participação de setores com capacidade técnica.

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, reiterou que seu país não aceita pressões externas
Tasnim

As declarações de Pezeshkian ocorrem em meio a um novo ciclo de tensão provocada pelos Estados Unidos. No início de janeiro, o presidente norte-americano Donald Trump emitiu alertas sobre uma possível intervenção militar durante o auge das manifestações  no Irã. Apesar dos protestos terem diminuído, Washington manteve a pressão no país, passando a mirar o programa nuclear iraniano e o desenvolvimento de mísseis.

Na primeira semana de fevereiro, as delegações de ambas as partes realizaram a primeira rodada de discussões sobre a questão nuclear na capital Mascate de Omã. Após a reunião, Trump disse que “o Irã parece muito interessado em alcançar um acordo”, enquanto Teerã descreveu o clima como “positivo” e expressou sua disposição em manter o canal diplomático aberto. A segunda rodada de negociações foi realizado em Genebra nesta semana.

Apesar das conversações nos últimos dias, Washington tem destacado uma frota naval no Golfo Pérsico para pressionar Teerã. Nesta quarta-feira (18/02), altos funcionários da Segurança Nacional dos Estados Unidos afirmaram que suas Forças Armadas estão prontas para possíveis ataques já neste fim de semana, conforme apuração de veículos como CBS News, Reuters e New York Times.

Nesta quinta-feira, durante a reunião inaugural do Conselho da Paz para a Faixa de Gaza, Trump disse não ser “fácil” firmar um acordo com o país persa e levantou a necessidade de “fazer um acordo significativo”, ameaçando que “caso contrário, coisas ruins vão acontecer”.

As autoridades iranianas reiteraram que estão preparadas para responder a qualquer “erro estratégico” dos Estados Unidos com “golpes pesados” e alertaram que a cessação total do enriquecimento de urânio é “absolutamente inaceitável”.

Na terça-feira (17/02), o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, alertou nesta que o porta-aviões norte-americano USS Abraham Lincoln, próximo ao país persa, poderia ser afundado. 

“Eles continuam dizendo que enviaram um porta-aviões para o Irã. Muito bem. Um porta-aviões é certamente uma embarcação perigosa. Mas mais perigosa do que o porta-aviões é a arma que pode afundá-lo”, afirmou, em uma dura mensagem ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. “Mesmo o exército mais forte do mundo pode, às vezes, ser tão castigado ao ponto de não conseguir se levantar”.

(*) Com Telesur

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