A Irlanda anunciou que vai boicotar o Festival Eurovision da Canção pelo segundo ano consecutivo, em protesto contra a presença de representantes de Israel no evento, devido às violações aos Direitos Humanos cometidos pelas forças militares do país contra o povo palestino na Faixa de Gaza e na Cisjordânia.
A medida foi divulgada pela emissora local RTÉ, em nota na qual reconhece que não retransmitirá o evento musical em seu canal.
Em comunicado, o canal explicou que “a participação da Irlanda não se justifica, tendo em conta a terrível e contínua perda de vidas em Gaza e a crise humanitária que lá se instaura, a qual continua a pôr em risco a vida de tantos civis”.
A mesma decisão foi anunciada semanas atrás pela emissora holandesa Avrotros, responsável pela retransmissão nos Países Baixos, que justificou a postura alegando que a polêmica envolvendo a participação israelense mancha o Eurovision e retira do festival sua imagem como “plataforma para a divisão”.
Protestos contra Israel
Assim, Irlanda e Holanda repetem o boicote ao Eurovision realizado na edição deste ano, atitude que também foi implementada por outros três países: Eslovênia, Espanha e Islândia.
A União Europeia de Radiodifusão (EBU, por sua sigla em inglês), que organiza o festival, tentou por duas vezes abordar as preocupações das emissoras que manifestaram sua desconformidade sobre a participação de Israel.
Na edição e 2026, os organizadores implementaram uma mudança nas regras do concurso, com a redução do número de votos que podiam ser registados online ou por telefone por cada indivíduo – a medida foi uma resposta a denúncias de que Israel tinha realizado uma campanha desproporcionada para obter votos públicos.
No mês passado, a EBU anunciou que as emissoras não seriam mais elegíveis para sediar o Eurovision se seu país estivesse envolvido em um “conflito armado” ou em uma “situação geopolítica delicada”, o que também levantou questionamentos sobre a presença israelense.
Irlanda e Holanda boicotarão festival Eurovision pelo segundo ano consecutivo, em protesto contra Israel
Divulgação
Organização do evento
Em resposta, o diretor do Festival Eurovision, Martin Green, disse lamentar a postura das emissoras de Irlanda e Países Baixos, mas que as respeita, e que “eles (RTÉ e Avrotros) continuam sendo uma parte valiosa da nossa família e sentiremos saudades”.
“Esse poder de unir as pessoas é o que torna o concurso tão especial e é ainda mais importante agora, em um mundo cada vez mais difícil e dividido. Todas as emissoras decidem anualmente se participarão do concurso do ano seguinte. Manteremos o diálogo com as que saíram e esperamos recebê-las de volta no futuro”, acrescentou Green.
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