
O senador Flávio Bolsonaro (PL) anunciou nesta quarta-feira (5) o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente na chapa do partido para as eleições de 2026.
A definição encerra semanas de indefinição e confirma o fracasso da candidatura em atrair forças políticas do Centrão ou agregar valor eleitoral à chapa, seja por gênero ou por alianças regionais amplas, levando a legenda a optar por uma solução caseira que preserva o protagonismo da família no bolsonarismol.
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Deputado federal de primeiro mandato e ex-promotor de Justiça, Alfredo Gaspar é um nome de projeção restrita ao estado de Alagoas, onde foi o segundo candidato mais votado para a Câmara dos Deputados em 2022, com 102.039 votos – ficando atrás de Arthur Lira, que obteve 219.452 votos. Sua votação esteve associada à carreira no Ministério Público de Alagoas, onde atuou como promotor e procurador-geral de Justiça, além do período à frente da Secretaria de Segurança Pública do estado, quando construiu uma imagem pública ligada ao combate à criminalidade.
Antes de chegar ao Congresso Nacional, Gaspar disputou a Prefeitura de Maceió em 2020 e avançou ao segundo turno contra JHC. Embora derrotado, o pleito garantiu-lhe visibilidade política na capital alagoana e pavimentou seu caminho rumo à Câmara dos Deputados dois anos depois.
Eleito pelo União Brasil, Alfredo Gaspar deixou o partido em março deste ano para se filiar ao PL, atendendo a convite do próprio Flávio Bolsonaro. Na ocasião, assumiu a presidência da sigla em Alagoas e passou a integrar o núcleo da campanha presidencial. Recentemente, ganhou visibilidade ao assumir a relatoria da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.
Nos bastidores, dirigentes do PL tentaram articular composições que pudessem atrair partidos do campo conservador e do Centrão. Nomes como Rogério Marinho chegaram a ser cotados nas negociações, mas as conversas não avançaram. Diante do isolamento e das tentativas frustradas de construir uma frente mais ampla, a indicação de Gaspar é avaliada por analistas como uma solução interna.
A escolha de um parlamentar alagoano em primeiro mandato privilegia a fidelidade política ao grupo de Flávio Bolsonaro. Por outro lado, expõe os limites da candidatura ao abrir mão de utilizar a vaga de vice como instrumento de ampliação de coalizão e ao selecionar um perfil que não faz sombra à liderança do titular.
Parte da grande imprensa buscou justificar a indicação projetando o deputado a partir de sua atuação como relator da CPMI do INSS. Contudo, essa construção soa como uma interpretação forçada para emprestar densidade nacional a um nome local, mascarando o fato de que a escolha foi ditada pelo isolamento do PL e pela escassez de opções de peso para compor a chapa.
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