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Israel abre novo foco de tensão e deixa dois mortos na Síria

Israel abriu no último sábado (27) uma nova frente de provocação no Oriente Médio ao realizar uma incursão militar no sul da Síria e matar dois homens em uma área ocupada próxima à fronteira. 

O governo sírio reagiu nesta segunda-feira (29) condenando a ação e afirmou que as operações israelenses em Quneitra e Daraa violam sua soberania, o direito internacional e o Acordo de Desengajamento de 1974. 

Segundo o Exército israelense, os dois sírios teriam se aproximado de forma “suspeita” da chamada “zona de segurança” estabelecida por Israel dentro do território sírio. Os militares afirmaram que ambos estavam armados e os classificaram como “terroristas”, mas não apresentaram evidências nem divulgaram suas identidades ou vínculos políticos.

Em resposta, o ministério das Relações Exteriores da Síria acusou Israel de violar a soberania nacional e de desrespeitar o Acordo de Desengajamento de 1974, firmado após a Guerra do Yom Kippur para regular a situação na fronteira entre os dois países.

Em comunicado, Damasco afirmou que as incursões militares e os bombardeios realizados por Israel nas províncias de Quneitra e Daraa “aterrorizam civis” e representam uma violação do direito internacional e da Carta das Nações Unidas.

O governo sírio também advertiu que as ações israelenses ameaçam os esforços para estabilizar o país após anos de guerra e aumentam o risco de uma nova escalada regional.

Ocupação após a queda de Assad

O episódio ocorre em uma região que permanece sob ocupação israelense desde a queda do governo de Bashar al-Assad, em dezembro de 2024.

Na ocasião, Israel declarou encerrada sua adesão ao acordo de 1974 e ocupou uma zona-tampão supervisionada pela ONU na fronteira síria. Desde então, forças israelenses mantêm postos militares dentro do território do país vizinho.

Segundo a imprensa israelense, tropas de Tel Aviv operam atualmente em áreas localizadas a até 15 quilômetros da fronteira reconhecida internacionalmente.

Nos últimos meses, confrontos nessa região tornaram-se relativamente raros. Por isso, analistas israelenses classificaram o anúncio da operação como uma mudança significativa de postura militar.

Em análise publicada neste domingo (28), o jornal Jerusalem Post observou que o Exército israelense não anunciava uma ação semelhante na Síria desde março e destacou que as identidades dos mortos sequer foram divulgadas pelas autoridades militares.

Pressão sobre o governo sírio

A nova operação também ocorre em um momento delicado para a política regional dos Estados Unidos.

Desde o início do ano, o governo Donald Trump tem apostado na estabilização da Síria sob a liderança do presidente Ahmed al-Sharaa como parte de sua estratégia para reorganizar o Oriente Médio após a guerra contra o Irã.

Nas últimas semanas, Washington chegou a defender maior cooperação regional contra grupos armados alinhados a Teerã. Em diferentes ocasiões, Trump sugeriu que o novo governo sírio deveria contribuir para conter a atuação do Hezbollah na região.

Ao mesmo tempo, porém, Israel continua ampliando sua presença militar em territórios sírios e libaneses.

Na última quinta-feira (26), o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, declarou que as tropas do país permanecerão nas chamadas zonas de segurança da Síria, do Líbano e da Faixa de Gaza “sem qualquer limite de tempo”.

A declaração foi recebida com preocupação por Damasco, que considera a presença israelense uma ocupação ilegal e exige a retirada imediata das tropas.

Para o governo sírio, a morte dos dois homens em Hader faz parte de uma política permanente de expansão militar israelense que ameaça a soberania do país e dificulta os esforços de estabilização defendidos pela comunidade internacional.

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