O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, rejeitou publicamente neste domingo (09/08) o plano de 15 pontos anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e divulgado pelo Conselho de Paz para avançar para a segunda fase do cessar-fogo com o Hamas.
Netanyahu disse que Israel não vai retirar suas tropas da Faixa de Gaza até que o grupo palestino seja de fato desarmado. Nesta semana, o Hamas anunciou que havia aceitado o plano de Trump.
“Vou ser claro: Israel rejeita o documento de 15 pontos. As Forças de Defesa de Israel (FDI) não se retirarão até que o Hamas se desarme. E quando digo desarmar o Hamas, refiro-me a todas as suas armas: as pesadas, as menos pesadas, todas.
Estamos falando de um desarmamento real, não de um fictício”, afirmou Netanyahu em uma mensagem em vídeo no início de uma reunião de gabinete.
Além disso, Netanyahu acrescentou que seus aliados norte-americanos têm algumas “ideias inaceitáveis” para Israel, às quais devem “se opor”, e disse estar dialogando com eles.
Após o anúncio de Trump do plano de 15 pontos no último dia 30 de julho, um membro da Casa Branca disse que o presidente estadunidense ficaria “muito, muito decepcionado” se Israel não cumprisse sua parte.
No entanto, Netanyahu afirmou neste domingo que a “existência de Israel e a segurança de todos os cidadãos de Israel não estão sujeitas a negociação”, numa rara refutação pública contra Trump, com quem o israelense mantém uma aliança estreita.
“Mantemo-nos firmes nestes interesses”, frisou Netanyahu, que enfrenta uma dura batalha pela reeleição em outubro e uma rebelião de membros da ultradireita da sua base contra o acordo sobre Gaza.
“Enquanto eu for primeiro-ministro, nenhum Estado palestino será criado, nem na Cisjordânia nem em Gaza. Nem ‘Fatahistão’ nem ‘Hamastão’”, reiterou neste domingo Netanyahu, numa referência às duas principais facções políticas palestinas – o secular Fatah e o Hamas.
Um golpe no acordo de “paz”
No dia 30 de julho, Trump anunciou que seu Conselho de Paz, organismo idealizado pelo presidente para implementar o plano, havia chegado a um acordo para o desarmamento total do Hamas e de outros grupos da Faixa de Gaza, algo que ele classificou como um “acordo histórico” que permitiria avançar para a segunda fase do cessar-fogo.
No dia seguinte, o Hamas anunciou que havia aderido ao plano, mas que sua implementação dependeria de Israel cumprir primeiro seus compromissos.
Esse novo plano, baseado em um roteiro de 15 pontos, tinha como objetivo reativar o plano inicial de “paz” de 20 pontos e obrigava Israel a se comprometer com o que foi assinado em outubro de 2025 durante o Protocolo de Sharm el-Sheikh (Egito), incluindo a “cessação das operações militares” em Gaza.
O documento, etapa final de um cessar-fogo impulsionado pelos Estados Unidos, prevê que o Hamas entregue suas armas a uma autoridade palestina ainda incipiente encarregada de governar o território.
O plano ainda estabelecia que Israel começaria a retirar suas forças em paralelo ao desarmamento, pelo menos, até o traçado original da chamada “linha amarela”, quando Israel controlava militarmente 53% da Faixa de Gaza e não mais do que 65%, como ocorre atualmente.
Operações de Israel em Gaza mataram 1.257 palestinos desde outubro do ano passado, quando as duas partes chegaram a um cessar-fogo respaldado por Trump, segundo o Ministério da Saúde do território, que opera sob autoridade do Hamas e cujos dados são considerados confiáveis pela ONU.
Embora o Hamas tenha aceitado oficialmente o plano de 15 pontos, os líderes islâmicos condicionaram seu desarmamento à retirada total de Israel da Faixa de Gaza e alertaram que, se Israel não cumprisse o acordado, eles também não o fariam.
Esse novo acordo se baseava em uma implementação gradual e recíproca, conforme declarou o presidente Trump, mas no último dia 3 de agosto, após uma reunião entre Netanyahu e o representante do Conselho de Paz, Nikolay Mladenov, o órgão publicou na rede social X que, “ao contrário de relatos imprecisos, a retirada das Forças de Defesa de Israel para além da linha amarela só ocorrerá após a conclusão do desarmamento” do Hamas.
Hamas pede para que Trump pressione Israel
Após a negativa de Netanyahu, o Hamas apelou hoje a Washington para que pressione o primeiro-ministro israelense a rever a rejeição.
“Esperamos que os mediadores e o garantidor norte-americano pressionem Netanyahu e o seu governo para que respeitem o roteiro e não impeçam o processo por razões de política interna ou eleitoral”, afirmou um responsável do grupo à agência noticiosa France-Presse (AFP).
O Hamas ainda informou ao Conselho de Paz, liderado por Trump, que continuava comprometido com a última fase do plano, pela qual os membros do grupo entregariam as armas a um comitê de governo palestino no território.
“O Hamas e outras facções confirmaram aos mediadores sua disposição de começar a aplicar o acordo e passar à segunda fase, desde que recebam a aprovação israelense e que Israel comece a implementar o acordo”, disse uma autoridade do grupo palestino.
Segundo a mesma fonte, que falou sob condição de anonimato, o grupo islamista “insta a administração americana a exercer pressão sobre Israel para obrigá-lo a cumprir o acordo e passar à segunda fase”.
*Com AFP, EFE, Lusa.
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