Israel lançou na quinta-feira (18/03) ataques no Mar Cáspio para interromper o envio de armas da Rússia ao Irã, segundo fontes próximas à operação. Os ataques atingiram navios, portos e instalações de manutenção, com o objetivo de limitar o contrabando de munições e drones Shahed usados pela Rússia na Ucrânia e pelo Irã em ataques no Oriente Médio.
O primeiro ataque de Israel na semana passada ao maior mar interior do mundo e que está longe dos olhares da Marinha norte-americanas atingiu infraestrutura portuária e centros de comando, com o principal objetivo de acabar com o ataque militar e demonstrar a vulnerabilidade do Irã na região, destacando a importância geopolítica e militar do Mar Cáspio.
Imagens divulgadas pelo The Wall Street Journal e pela Storyful exibiram danos ao quartel-general da Marinha iraniana no porto, mostrando que navios de guerra foram destruídos, embora a extensão total dos danos ao porto não tenham ficado extremamente claras.
Segundo o ex-comandante da Marinha de Israel, Eliezer Marum, a Rússia e o Irã provavelmente terão que continuar com rotas militares diferentes, embora Israel tenha aberto caminho para realizar mais ataques, se necessário, para interromper operações.
Além disso, o tráfico militar no Mar Cáspio está ligado ao comércio de suprimentos como o trigo; o ataque também ameaçou o abastecimento alimentar do Irã, sinalizando a capacidade de Israel de pressionar a população e afetar o fornecimento de alimentos.
A rota passou a ser particularmente estratégica para o transporte dos drones Shahed do Irã, atualmente produzidos tanto no Irã quanto na Rússia que Moscou utilizou para atacar cidades ucranianas, enquanto Teerã os empregou contra aeroportos, instalações de energia e bases americanas na região do Golfo Pérsico.

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O ataque coincidiu com ofensivas de Israel ao campo de gás natural de South Pars, importante para geração de energia e fertilizantes. De acordo com o ex-diretor para a Ásia Central no Conselho de Segurança Nacional, Eric Rudenshiold, o fornecimento por drones e possivelmente de grãos terá um impacto crítico a curto prazo.
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia condenou o ataque, classificando o local como um centro comercial e logístico usado para comércio civil, e alertou contra a expansão da guerra no Mar Cáspio.
Já as Forças Armadas de Israel afirmaram estar trabalhando para enfraquecer as forças iranianas, enquanto o gabinete do primeiro-ministro não respondeu aos pedidos de esclarecimento.
Vale ressaltar que o Mar Cáspio tem sido uma rota estratégica para a Rússia, já que transporta grandes quantidades de projetos de artilharia e munições do Irã durante a invasão da Ucrânia em 2022. Em 2023, mais de 300 mil projéteis e 1 milhão de cartuchos foram enviados pelo porto de Bandar Anzali, que também é o principal canal de passagem para drones iranianos.
A rota tem se tornado um desafio crescente para os Estados Unidos e seus parceiros, que buscam dificultar a colaboração entre Moscou e Teerã. Navios russos e iranianos frequentemente desativam seus transponders durante as travessias, tornando-os ainda mais complexos de monitorar, segundo analistas
A analista Maria Snegovaya, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, e Nicole Grajewski, professora da Sciences Po, destacaram que o porto representa um canal crucial de burla às sanções e que as operações militares acontecem próximas da área civil, frequentada pela Companhia de Navegação da República Islâmica do Irã, sancionada pelos Estados Unidos e outros países.
A presença russa limita a capacidade de Israel de bloquear a rota, já que o país busca manter relações com Moscou e não atacaria navios russos. Segundo especialistas citados pelo periódico, embora os ataques israelenses tenham impacto, Irã e Rússia redirecionarão o comércio para outros portos, o que significa que a ação não provocará um colapso da segurança alimentar nem interromperá completamente a transferência de drones na região.
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