A Microsoft anunciou estar conduzindo uma investigação interna sobre o uso de sua plataforma de nuvem Azure pela Unit 8200, uma agência de vigilância militar israelense, conforme o jornal britânico The Guardian informou neste sábado (09/10). Nesta semana, o veículo publicou um relatório que revelou que a unidade israelense tem armazenado milhões de chamadas telefônicas interceptadas de palestinos nos servidores da Microsoft na Europa.
O documento publicado, à princípio, na quarta-feira (06/08) teve parceria com a revista +972 Magazine e o site Local Call. A investigação feita pela imprensa levantou preocupações sobre a transparência de funcionários da equipe da Microsoft baseados em Israel e a cumplicidade com o genocídio que já deixa mais de 61 mil mortos.
Segundo o relatório, a Unit 8200 — comparável à Agência de Segurança Nacional (NSA) dos Estados Unidos — utilizou um ambiente segregado dentro da plataforma de nuvem Azure para guardar gravações de ligações diárias vindas do território palestino. Fontes da agência israelense confirmaram à apuração que os dados foram usados para espionar palestinos e facilitar a preparação de ataques aéreos em Gaza e na Cisjordânia.
Preocupações sobre transparência
De acordo com o The Guardian, executivos da empresa norte-americana Microsoft questionam se equipes israelenses ocultaram detalhes sobre o envolvimento militar, uma vez que documentos vazados mostram que alguns dos funcionários que gerenciam projetos com a Unit 8200 têm ligações pessoais com a agência.
Em maio, a Microsoft afirmou não ter encontrado “evidências” de que o Azure foi usado para “atingir ou ferir pessoas” em Gaza.. Contudo, agora, a empresa revisa os dados armazenados e seu uso pelas Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês).

Wikimedia Commons/Coolcaesar
Contradições
Enquanto a Microsoft insiste que não tinha conhecimento do armazenamento de chamadas interceptadas, documentos internos mostram que executivos sabiam, desde 2021, que a Unit 8200 transfere dados sigilosos para o Azure. Já as IDF negaram qualquer parceria com a gigante norte-americana para “armazenamento ou processamento de dados”.
De acordo com a reportagem do The Guardian, sob o comando de Yossi Sariel, a agência de inteligência israelense expandiu a interceptação de comunicações palestinas e migrou dados sigilosos para a nuvem da Microsoft, usando a inteligência artificial para identificar o que considerou ser ameaça.
O veículo contou que quando Sariel assumiu a liderança da Unit 8200 em 2021, o israelense priorizou a parceria com a gigante norte-americana para armazenar milhões de chamadas telefônicas diárias de palestinos no Azure. A implementação de um sistema chamado de “mensagem ruidosa” escaneava textos em busca de termos considerados suspeitos e classificava ameaças potenciais usando um algoritmo.
Documentos internos mostram que, em julho deste ano, a Unit 8200 armazenou 11.500 terabytes de dados militares israelenses em servidores da Microsoft na Holanda e Irlanda — o equivalente a 200 milhões de horas de áudio. Apesar das negações públicas, registros indicam que executivos da empresa, incluindo o diretor executivo Satya Nadella, apoiaram o projeto, visto como uma oportunidade lucrativa.
Nos últimos meses, a empresa de tecnologia tem vivido uma onda crescente de protestos por parte de engenheiros e outros funcionários que denunciam que as IDF fazem uso dos serviços de IA e computação em nuvem da Microsoft para facilitar suas operações no território palestino.
O grupo pró-Palestina No Azure for Apartheid, formado por funcionários e ex-funcionários da Microsoft, exige que a empresa norte-americana corte laços com o exército israelense. Abdo Mohamed, que foi demitido em 2023, chegou a acusar Nadella de “lucrar com o sofrimento palestino”.
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