
A Itália e a Espanha enviaram nesta quarta-feira (24) navios militares para escoltar a Flotilha, alvo de sucessivos ataques de drones enquanto tenta levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza.
A iniciativa, inédita por parte de governos europeus, ampliou a tensão com Israel, que insiste em manter o bloqueio naval ao enclave e afirmou que não permitirá a entrada de embarcações em zona de combate ativa.
A flotilha é formada por cerca de 50 embarcações civis que transportam advogados, parlamentares, jornalistas, ativistas de direitos humanos, entre eles a sueca Greta Thunberg e o brasileiro Thiago Ávila.
Nos últimos dias, os participantes relataram que foram atacados com granadas de efeito moral, pó irritante e explosivos do tipo flashbang (que produz um clarão de luz e um som de alta intensidade para desorientar), além de sofrerem interferência deliberada em rádios.
Não houve mortos, mas barcos ficaram danificados. Segundo os ativistas, alguns dispositivos continham produtos químicos com odor fétido.
Do interior das embarcações, os relatos reforçaram a denúncia contra Israel. Omar Fares disse ao canal Al Mayadeen que “bombas de efeito sonoro foram disparadas contra as embarcações”.
“Estamos em uma missão pacífica. Houve apenas danos leves, mas alguns dispositivos continham químicos e tinham odor fétido. Nossa moral está alta, e nossos olhos e corações estão voltados para Gaza”, afirmou.
O coordenador Wael al-Nour afirmou à TV Al Araby que “o protocolo de perigo foi ativado durante o ataque dos drones” e que todos os participantes “estão totalmente preparados para qualquer cenário”.
“Esta missão é sobre Gaza, não é sobre nós. E nenhum risco que possamos correr se aproxima dos riscos que os palestinos enfrentam todos os dias”. disse Greta Thunberg.
Os organizadores disseram ainda que pelo menos 11 barcos foram atingidos por explosões, drones não identificados e interrupções de comunicação, pedindo que a questão fosse incluída na pauta da Assembleia Geral da ONU.
O ministro da Defesa da Itália, Guido Crosetto, justificou o envio das fragatas como uma medida para proteger cidadãos italianos.
“Não é um ato de guerra, não é uma provocação: é um ato de humanidade, que é dever de um Estado para com seus cidadãos”, afirmou.
Ao mesmo tempo, alertou que “não podemos garantir a segurança de nossos cidadãos se entrarem em águas territoriais de outros países”, pedindo que os ativistas entreguem os suprimentos para distribuição por meio de canais oficiais.
O chanceler italiano Antonio Tajani destacou que “cidadãos italianos, junto com membros do parlamento e eurodeputados” participam da missão, e que Roma já havia notificado Israel para que qualquer operação fosse conduzida em conformidade com o direito internacional e “com absoluta cautela”.
Na Espanha, o primeiro-ministro Pedro Sánchez anunciou que um navio de guerra seria enviado de Cartagena para resgatar cidadãos, se necessário.
“O governo da Espanha exige que o direito internacional seja cumprido e que o direito de seus cidadãos de navegar no Mediterrâneo em condições seguras seja respeitado”, disse.
“Estamos preocupados e, portanto, enviaremos uma embarcação para garantir, se necessário, que nossos cidadãos sejam resgatados e possam retornar à Espanha”, acrescentou.
O episódio coincidiu com a intervenção mais dura da primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, contra Israel desde o início da guerra.
Em discurso na Assembleia Geral da ONU, ela acusou Benjamin Netanyahu de promover “um massacre de civis” em Gaza e declarou que a Itália apoiaria as sanções propostas pela União Europeia.
“Israel ultrapassou os limites da proporcionalidade em Gaza e está violando normas humanitárias, mas não colocamos toda a culpa nele. Hamas pode libertar os reféns e encerrar a guerra”, afirmou.
Meloni disse ainda que seu governo só reconhecerá um Estado palestino caso os reféns sejam libertados e o Hamas fique fora de um eventual governo.
A premiê também criticou os ataques à flotilha, mas a classificou como “injustificada, perigosa e irresponsável”.
“Não devemos colocar nossa segurança em risco. Não há necessidade de entrar em uma zona de combate para entregar ajuda a Gaza – ajuda que as autoridades italianas podem enviar em poucas horas”, afirmou.
Israel, por sua vez, afirmou que não busca confronto com as forças navais italiana e espanhola e que a Marinha, com apoio da Força Aérea, atua para impedir o avanço da flotilha.
O plano, segundo o Exército israelense, é interceptar as embarcações apenas em águas territoriais, evitando provocações e usando meios não violentos sempre que possível.
A ONU pediu uma investigação imediata sobre os ataques e exigiu que eles cessem. Já os Estados Unidos tiveram uma manifestação ambígua.
“Esse é o problema, especialmente quando Israel está atacando todos. Israel está atacando a Síria, Israel está atacando o Líbano, Israel está atacando a Tunísia. E quanto mais isso continua, mais forte fica o argumento do Hezbollah, de que estão aqui para proteger os libaneses de Israel”. disse enviado de Washington, Thomas Barrack, em declaração à Sky News Arabia.
A lembrança de outras operações paira sobre o episódio. Em 2010, comandos israelenses atacaram a flotilha que levava o navio Mavi Marmara, matando dez ativistas turcos. Desde então, nenhuma grande missão conseguiu chegar a Gaza por mar, e todas as tentativas foram interceptadas.
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