
A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, foi reconduzida ao cargo nesta quarta-feira (18), após a vitória do Partido Liberal Democrata (PLD) nas eleições de 8 de fevereiro garantir ao bloco governista mais de dois terços das 465 cadeiras da Câmara Baixa.
A recondução de Takaichi abre caminho para uma agenda de militarização acelerada, endurecimento migratório, retrocessos nos direitos civis e alinhamento estratégico aos Estados Unidos em meio à escalada de tensões com a China.
Confirmada no cargo em sessão especial do Parlamento, Sanae Takaichi reassume o comando do governo após votação na Dieta, nome dado ao Congresso japonês.
O sistema é bicameral e reúne a Câmara dos Representantes (Câmara Baixa), considerada a instância decisiva, e a Câmara dos Conselheiros (Câmara Alta). A primeira-ministra foi eleita diretamente na Câmara Baixa e, em seguida, confirmada em votação de segundo turno na Câmara Alta.
Com a nova legislatura, o Partido Liberal Democrata mantém o controle absoluto da Câmara Baixa, o que permite ao governo aprovar projetos mesmo diante de eventuais resistências da Câmara Alta, onde a coalizão governista não possui maioria.
Na prática, a supermaioria reduz o peso do debate parlamentar e acelera a tramitação de propostas sensíveis, especialmente em temas de segurança, orçamento e política externa.
Um dos primeiros movimentos de Takaichi foi reconduzir integralmente os seus ministros do gabinete anterior, dissolvido formalmente pela manhã e recomposto horas depois.
A decisão indica prioridade na execução da agenda já anunciada e evita disputas internas em um momento em que o governo busca destravar votações represadas, entre elas o orçamento do ano fiscal de 2026, atrasado pela dissolução da Câmara Baixa em janeiro para a convocação da eleição antecipada.
No campo econômico, o governo tenta aprovar o orçamento até o fim do ano fiscal, em março, apesar do atraso no calendário legislativo.
A proposta combina estímulos ao investimento, corte temporário de impostos sobre alimentos e aumento de gastos públicos. Especialistas ouvidos pela imprensa japonesa apontam risco de pressão inflacionária e de adiamento no ajuste da dívida pública, uma das maiores do mundo em proporção ao PIB.
Na política externa, a nova correlação de forças fortalece a linha adotada por Takaichi desde a campanha eleitoral.
A primeira-ministra busca aprofundar a coordenação estratégica com os Estados Unidos, incluindo cooperação em cadeias de suprimento consideradas sensíveis, como a de terras raras, além do aumento dos gastos militares.
Em paralelo, declarações do governo japonês sobre Taiwan, em desacordo com a política de Uma Só China, intensificaram as tensões com Pequim, que reagiu com medidas diplomáticas e econômicas contra Tóquio.
A agenda legislativa para os próximos meses inclui ainda projetos controversos, como a criação de uma Agência Nacional de Inteligência, o início do debate sobre uma lei de prevenção à espionagem e propostas de revisão constitucional.
Organizações civis e parte da oposição alertam para riscos a direitos individuais e para o enfraquecimento dos mecanismos de controle institucional em um cenário de concentração inédita de poder no Executivo desde o pós-guerra.
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