Um alto funcionário do Ministério das Relações Exteriores do Japão anunciou que Tóquio já responderá à visita do presidente russo Vladimir Putin às Ilhas Curilas — que fazem parte da Rússia e são parcialmente reivindicadas pelo Japão. “Tomaremos medidas em resposta ao ocorrido”, disse ele.
A presença de Putin levou as autoridades japonesas a considerarem possíveis medidas retaliatórias, incluindo um endurecimento das sanções impostas a Moscou após o conflito na Ucrânia, segundo relatos da mídia local Nikkei.
O Ministério das Relações Exteriores japonês emitiu um “forte protesto” naquele mesmo dia em relação à viagem a Iturup, na quinta-feira (13/08), e convocou o embaixador russo em Tóquio.
Em resposta, o chefe da missão diplomática declarou que “as Ilhas Curilas do Sul fazem parte da Federação Russa e passaram a integrar seu território em decorrência da Segunda Guerra Mundial, com base em princípios do direito internacional”, e, portanto, “sua soberania não está sujeita a discussão”.
FM MOTEGI issued the following statement on President Putin’s visit to the Northern Territories.https://t.co/4rRGZd40WR pic.twitter.com/r23LoKM5NM
— MOFA of Japan (@MofaJapan_en) August 13, 2026
O presidente russo viajou para o arquipélago na quinta-feira (13/08), em sua primeira visita ao local. Putin chegou à ilha de Iturup, onde visitou uma fábrica de processamento de peixe e um hospital, e conheceu detalhadamente o funcionamento do local, experimentou caviar e conversou com os trabalhadores.
Pouco antes de sua visita às ilhas, Putin supervisionou a fase final de manobras em larga escala da Frota Russa do Pacífico durante sua visita à cidade de Yuzhno-Sakhalinsk e abordou as reivindicações do Japão.
O presidente russo insistiu que o status das ilhas “está estabelecido em documentos internacionais” como uma realidade que surgiu em 1945, enfatizando que, “mesmo assim”, a Rússia “estava disposto” a “buscar uma solução” para essa questão. Nesse contexto, reiterou que Moscou “não tem absolutamente nenhuma reivindicação” contra o Japão e que o Japão “não representa nenhuma ameaça” à Rússia, apesar de Tóquio já ter incluído a Rússia “entre as principais fontes de ameaça”.
Por outro lado, Putin lembrou que o Japão impôs sanções não provocadas contra a Rússia “sob o pretexto” da crise ucraniana e “sem abordar” as causas do conflito.
A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, reagiu duramente à viagem do líder do Kremlin, afirmando que a visita “piorou a posição do Japão em relação à Rússia”. “Isso ofende os sentimentos do povo japonês e é absolutamente inaceitável. Esperamos que o lado russo compreenda plenamente a gravidade desta questão”, acrescentou.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, declarou que as falas da primeira-ministra japonesa sobre a visita de Putin a Iturup são inaceitáveis, observando que as Ilhas Curilas são oficialmente território russo e que as declarações de Takaichi e do ministro Toshimitsu Motegi são extremamente “ultrajantes”.
“O aspecto mais odioso e perigoso das ‘mensagens’ de Sanae Takaichi e Toshimitsu Motegi para todos os países vizinhos do Japão e para a região da Ásia-Pacífico como um todo é o revanchismo que permeia essas declarações”, destacou Zakharova.
(*) com RT em Espanhol
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