Notícias

Jornal chinês elogia Lula após reunião com Trump sobre terras raras

O encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump na Casa Branca repercutiu na imprensa internacional nesta sexta-feira (8), com destaque para a reação da mídia chinesa ao posicionamento brasileiro sobre minerais críticos e terras raras.

O jornal chinês Global Times publicou uma longa reportagem elogiando a postura de Lula durante a reunião de mais de três horas com Trump, afirmando que o presidente brasileiro resistiu à pressão dos Estados Unidos para afastar a China das cadeias globais de minerais estratégicos. 

Segundo o veículo, Lula deixou claro que o Brasil manterá aberta a possibilidade de investimentos chineses no setor.

“O Brasil quer compartilhar seu potencial em minerais críticos com quem quiser investir no país — sejam EUA, China, Alemanha, Japão ou França”, disse Lula, em relato reproduzido pelo Global Times, pela BBC e pelo South China Morning Post.

A publicação chinesa interpretou a fala como um gesto de “autonomia estratégica” diante da disputa entre Washington e Pequim pelo controle das cadeias globais de terras raras, essenciais para setores como carros elétricos, turbinas eólicas, semicondutores e armamentos.

 O Global Times destacou que Lula rejeitou aderir a uma “aliança exclusiva” liderada pelos EUA para reorganizar o fornecimento global de minerais críticos sem a participação chinesa.

O pesquisador Zhang Xiaorong, ouvido pelo jornal chinês, afirmou que a posição brasileira demonstra a intenção de “ir além do papel tradicional de exportador passivo de matérias-primas”. 

Já Zhou Mi, pesquisador da Academia Chinesa de Comércio Internacional, declarou ao Global Times que o Brasil “não mudou sua posição sob pressão americana”.

Segundo a Bloomberg, citada pelo jornal chinês, o Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras e grafite, além de ocupar a terceira posição em reservas de níquel. 

O tema ganhou peso estratégico no encontro porque os países do G7 vêm intensificando esforços para reduzir a dependência da China no processamento desses minerais.

O Global Times também ressaltou que Lula relacionou o avanço comercial chinês na América Latina ao “abandono” da região pelos Estados Unidos após 2008. 

O presidente brasileiro argumentou que a China se tornou o principal parceiro comercial do Brasil porque empresas norte-americanas deixaram de disputar contratos no continente.

Enquanto a imprensa chinesa destacou a defesa da soberania econômica brasileira, veículos ocidentais concentraram a cobertura nos bastidores diplomáticos e no simbolismo político do encontro entre Lula e Trump.

O jornal The New York Times descreveu a reunião como uma tentativa de estabilizar uma “trégua frágil” após meses de tensão entre os dois países, marcados por disputas tarifárias e divergências políticas. O veículo ressaltou que a coletiva conjunta prevista após o encontro acabou cancelada.

A BBC News destacou a surpresa dos jornalistas pela ausência da tradicional aparição pública dos dois presidentes no Salão Oval. Segundo a emissora britânica, os repórteres permaneceram por horas aguardando uma coletiva antes de serem informados de que Lula deixaria a Casa Branca sem falar ao lado de Trump.

Já a agência Reuters afirmou que integrantes da diplomacia brasileira avaliavam que a visita poderia ajudar a reduzir tensões comerciais entre os dois países. 

A reportagem citou um funcionário brasileiro que, sob anonimato, afirmou: “Não sabemos se a visita vai ajudar, mas é mais provável que ajude do que não fazer nada”.

A emissora Al Jazeera classificou Lula e Trump como “duas das figuras populistas mais proeminentes do mundo”, enfatizando as diferenças ideológicas entre os dois líderes. Já a NBC News relembrou o tarifaço imposto por Trump contra produtos brasileiros em 2025.

Após o encontro, Trump afirmou em sua rede Truth Social que a reunião foi “muito boa” e disse que os dois países continuarão negociando temas considerados estratégicos. O governo brasileiro publicou nas redes sociais uma mensagem afirmando que Brasil e Estados Unidos mantêm uma relação baseada em “diálogo e respeito”.

O post Jornal chinês elogia Lula após reunião com Trump sobre terras raras apareceu primeiro em Vermelho.