Centenas de pessoas se reuniram no sul de Beirute neste domingo (29/03) no funeral dos três jornalistas libaneses mortos por um ataque israelense neste sábado (28/03). A correspondente da Al Mayadeen, Fatima Ftouni, o jornalista da Al-Manar, Ali Sheaib, e o cinegrafista Mohammad Ftouni foram atingidos quando estavam em um automóvel de imprensa identificado.
“Estamos aqui hoje para reafirmar o compromisso da mídia: Israel pode bombardear jornalistas o quanto quiser, mas não pode silenciar nossas vozes”, afirmou o jornalista Hussein Mortada, amigo de Ali Shoeib, durante a cerimônia.
Em comunicado oficial, o presidente libanês, Joseph Aoun, classificou o ataque como uma violação direta aos direitos humanos e às leis de guerra. “Mais uma vez, a agressão israelense viola as regras mais elementares do direito internacional humanitário, mirando jornalistas, que são civis desempenhando um dever profissional. Este é um crime flagrante”, afirmou.
Dias antes, bombardeios atingiram a sede da Al-Manar e a rádio Al-Nour. Outro ataque, em Beirute, matou o chefe de programas políticos da emissora Mohammed Sherri e sua esposa. Com as mortes dos três jornalistas, sobe para cinco o número de profissionais da imprensa vitimados pelos ataques israelenses no Líbano.
As Forças de Defesa de Israel divulgaram um vídeo do ataque alegando que tinham como alvo um “terrorista disfarçado de jornalista” e acusando Ali Sheaib de integrar uma unidade de elite do Hezbollah. Não há nenhuma evidência que sustente a alegação, frequentemente usada para justificar o assassinato de profissionais de imprensa.

Reprodução vídeo / Forças de Defesa de Israel
Reação do Irã
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, condenou o ataque, classificando-o como “uma clara tentativa de assassinar a verdade e silenciar as vozes daqueles que narram a realidade”. Segundo ele, o episódio representa “um sério sinal de alerta para a consciência mundial” e uma “violação flagrante das leis e convenções internacionais relativas à proteção de jornalistas em zonas de conflito”.
Araghchi acrescentou que Israel tem um histórico de ataques contra profissionais da mídia e que “os repetidos assassinatos de jornalistas demonstram claramente a continuidade de uma abordagem hostil destinada a restringir a liberdade de expressão”.
Em meio à escalada, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) anunciou a 86ª onda da chamada Operação Verdadeira Promessa 4, dedicada aos jornalistas mortos. Segundo comunicado, a ofensiva foi realizada em múltiplas fases, com ataques coordenados de mísseis e drones por forças aeroespaciais e navais, iniciados ao amanhecer deste domingo (29/03).
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