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Jovens cubanos convocam marcha em rejeição às medidas dos EUA contra Raúl Castro

Organizações juvenis de Cuba convocaram uma marcha para sexta-feira (22/05) em rejeição às acusações dos Estados Unidos contra o ex-presidente e dirigente histórico da Revolução Cubana, Raúl Castro.

A convocação ocorre após o Departamento de Justiça dos Estados Unidos ter apresentado, na quarta-feira (20/05), uma acusação formal contra Raúl Castro pela derrubada de duas aeronaves pertencentes à organização Hermanos al Rescate, em 1996, quando Castro era ministro da Defesa — incidente no qual morreram quatro
pessoas.

A acusação foi classificada como “uma ação política, sem nenhum embasamento jurídico” pelo presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, que afirmou que os Estados Unidos buscam aumentar “o expediente que fabricam para justificar o desatino de uma agressão militar a Cuba”.

Convocada pela União de Jovens Comunistas (UJC) e pela Federação Estudantil Universitária (FEU), junto a outras organizações juvenis do país, a mobilização será realizada na Tribuna Anti-imperialista José Martí, localizada em frente à Embaixada dos Estados Unidos, onde são realizadas atividades e manifestações de denúncia contra “os crimes do imperialismo”.

“A marcha é uma resposta da juventude cubana, mas também do povo cubano, a uma situação extremamente complexa de ataques do ponto de vista ideológico, político e comunicacional que Cuba sofre por parte dos Estados Unidos”, afirma ao Brasil de Fato José Almeida, da coordenação de Havana da FEU.

Almeida destaca que se trata de uma mobilização “justa em defesa de causas justas”, como “a defesa da soberania, da autodeterminação e do nosso direito de viver em paz como povo”.

“O povo cubano só pede paz. Mas uma paz em toda a extensão da palavra, não apenas no sentido da ausência de guerra ou bombas, mas também a paz de poder se desenvolver, de ter acesso às necessidades básicas do ser humano: alimentação de qualidade, eletricidade e saúde de qualidade, que neste momento estão afetadas pelas sanções do governo dos Estados Unidos”, assegura.

Desdobramento militar no Caribe

A convocação ocorre em um contexto de crescente hostilidade e ameaças de Washington contra Havana. Por meio de um comunicado público, as Forças Armadas dos Estados Unidos informaram, na quarta-feira (20/05), o deslocamento do porta-aviões de propulsão nuclear USS Nimitz junto a um grupo de ataque naval no Caribe.

A operação inclui a Ala Aérea Embarcada CVW-17, o destróier de mísseis guiados USS Gridley e o navio de abastecimento USNS Patuxent, todos sob coordenação do Comando Sul dos Estados Unidos — responsável pelas operações militares estadunidenses na América Latina e no Caribe.

O anúncio ocorre em meio a crescentes ameaças de Washington sobre um possível ataque contra Cuba. A publicação coincidiu ainda com a decisão do Departamento de Justiça dos Estados Unidos de tornar pública a imputação contra Raúl Castro, situação que, em Havana, é interpretada como parte de uma estratégia política.

“Alcance e letalidade sem igual”

Nas redes sociais, o Comando Sul afirmou que as forças mobilizadas “são o epítome da preparação e da presença, do alcance e da letalidade sem igual, e da vantagem estratégica”.

“O USS Nimitz demonstrou sua destreza em combate em todo o mundo, garantindo a estabilidade e defendendo a democracia desde o Estreito de Taiwan até o Golfo Pérsico”, afirmou o Comando Sul.

O USS Nimitz (CVN-68) é um dos maiores navios de guerra do mundo e o porta-aviões de propulsão nuclear mais antigo ainda em serviço ativo na Marinha dos Estados Unidos.

Em meados de 2025, o USS Nimitz participou da chamada “Guerra dos Doze Dias”, prestando apoio nos bombardeios realizados pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã.

Após retornar à costa oeste dos Estados Unidos em dezembro, o porta-aviões iniciou, a partir de março, a turnê Southern Seas 2026 (“Mares do Sul 2026”), uma operação coordenada pelo Comando Sul dos Estados Unidos e pela Quarta Frota dos Estados Unidos, que consiste na circunavegação completa do continente sul-americano.

A missão começou no Panamá, onde um dos destróieres de escolta atracou no Porto de Cruzeiros de Amador. Posteriormente, o grupo naval cruzou o Atlântico e, em meados de março, realizou exercícios conjuntos com a Marinha do Brasil frente à costa do Rio de Janeiro.

Após as atividades no Atlântico Sul, o USS Nimitz entrou nas águas do Mar do Caribe.

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