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Líbano acusa Israel de destruir sítios históricos e aldeias no sul do país

O governo do Líbano acusa Israel de provocar grandes danos a sítios arqueológicos, monumentos históricos e aldeias inteiras durante a ofensiva militar realizada no sul do país nos últimos meses.

Em entrevista à agência Reuters, o ministro da Cultura, Ghassan Salame, afirmou que cidades históricas como Tiro e Nabatieh sofreram impactos dos bombardeios israelenses e que parte das áreas afetadas permanece inacessível devido à ocupação militar de territórios libaneses.

Segundo Salame, as autoridades ainda não conseguiram calcular a dimensão total dos prejuízos porque Israel mantém sob seu controle uma faixa de aproximadamente dez quilômetros no sul do Líbano.

“Não podemos trabalhar sob a sombra da ocupação”, declarou o ministro.

Entre os locais atingidos está a cidade de Tiro, reconhecida como Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco por abrigar vestígios de algumas das mais importantes civilizações que passaram pelo Mediterrâneo oriental. 

A cidade foi fundada há cerca de cinco mil anos e preserva ruínas fenícias, gregas, romanas, bizantinas e medievais, consideradas fundamentais para a compreensão da história da região e da dispersão da humanidade na Terra.

Autoridades locais relataram danos em estruturas do sítio arqueológico de Al-Bass após ataques israelenses. 

A área reúne parte das ruínas romanas mais importantes de Tiro, incluindo necrópoles, vias antigas, arcos monumentais, mosaicos e colunas que ajudam a contar a história da cidade como um dos principais centros comerciais e culturais do Mediterrâneo antigo.

Em Nabatieh, bombardeios atingiram o antigo mercado da cidade, construído durante o período mameluco, entre os séculos XIII e XVI, quando a região fazia parte de um dos principais centros políticos e comerciais do Oriente Médio. 

Já em Tebnin, crescem os temores de que a fortaleza histórica local também tenha sido danificada. 

Salame afirmou que os danos vão além dos sítios arqueológicos e atingem comunidades inteiras do sul do Líbano que permanecem sob ocupação israelense. Segundo o ministro, algumas localidades foram completamente arrasadas durante a ofensiva.

“Há aldeias que foram completamente destruídas”, disse.

A Unesco informou estar preocupada com o estado de conservação de Tiro e declarou estar “profundamente alarmada” com relatos de danos a patrimônios culturais no sul do Líbano.

O organismo também condenou o que classificou como ataques ilegais contra bens culturais protegidos pelo direito internacional.

O ministro da Cultura afirmou temer que a ofensiva israelense provoque perdas permanentes para a memória histórica do país.

“Há algo sistemático: uma destruição sistemática de aldeias, povoados e cidades inteiras”, declarou.

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