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Lula abre 33 pontos sobre Flávio em PE e 44 no Piauí

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém uma vantagem expressiva sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) nos dois estados nordestinos pesquisados pelo Datafolha na rodada divulgada neste fim de semana. Em um eventual segundo turno, Lula alcança 62% das intenções de voto em Pernambuco, contra 29% de Flávio, uma diferença de 33 pontos percentuais. No Piauí, o placar é ainda mais favorável ao petista: 68% a 24%, vantagem de 44 pontos.

Os números reforçam uma característica recorrente da corrida presidencial de 2026: o Nordeste continua sendo a região em que Lula apresenta sua maior capacidade de mobilização eleitoral. A distância em relação a Flávio nos dois estados contrasta com a disputa nacional, que se mostra muito mais equilibrada.

Na pesquisa Datafolha nacional divulgada em 21 de agosto, Lula aparece com 47% contra 43% de Flávio em uma simulação de segundo turno. No primeiro turno, o presidente marca 39%, ante 33% do adversário.

Piauí tem o cenário mais favorável

No Piauí, a vantagem de Lula alcança uma dimensão particularmente significativa. O presidente obtém 68%, enquanto Flávio fica em 24%. Brancos e nulos somam 6%, e 2% não souberam responder.

A pesquisa ouviu 826 eleitores entre 18 e 21 de agosto, com margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número PI-06656/2026.

No primeiro turno, Lula também aparece muito à frente no estado, com 60% das intenções de voto. O resultado indica que a vantagem não depende apenas de uma eventual transferência de votos para o petista na segunda etapa: Lula já parte de uma posição dominante na disputa estadual.

Pernambuco também consolida vantagem

Em Pernambuco, Lula registra 62% contra 29% de Flávio no segundo turno. O resultado mantém o presidente em posição confortável em um estado politicamente estratégico e com forte tradição de apoio ao campo progressista.

A avaliação do governo ajuda a explicar esse desempenho. Segundo dados da mesma rodada do Datafolha, 62% dos pernambucanos aprovam a administração Lula, enquanto 33% desaprovam. Na avaliação qualitativa, 46% consideram o governo ótimo ou bom, contra 27% que o classificam como ruim ou péssimo.

O cenário pernambucano também é relevante porque a eleição presidencial se articula com uma disputa estadual bastante competitiva. A força de Lula pode funcionar como ativo político para seus aliados, especialmente em uma campanha na qual a vinculação dos candidatos locais às chapas presidenciais tende a ganhar importância.

Vantagem regional contrasta com disputa nacional

Os resultados evidenciam uma clivagem geográfica importante na eleição de 2026. Enquanto Lula conserva larga vantagem em estados nordestinos, Flávio Bolsonaro apresenta desempenho competitivo — e, em alguns casos, superior — em parcelas do eleitorado do Sul e do Sudeste.

A rodada nacional do Datafolha mostra Lula liderando no conjunto do país, mas com uma distância menor. No segundo turno, os quatro pontos de vantagem estão dentro de um cenário de disputa acirrada.

Isso significa que os 33 pontos em Pernambuco e os 44 no Piauí não podem ser extrapolados para o eleitorado nacional. O que os dados revelam é a importância estratégica do Nordeste para Lula: uma região em que o presidente consegue transformar sua liderança nacional em margens muito mais amplas.

O desafio de Flávio

Para Flávio Bolsonaro, os números representam um obstáculo relevante. Mesmo que sua candidatura consiga consolidar a direita e reduzir a distância em outras regiões, uma derrota tão ampla em estados nordestinos dificulta a construção de uma maioria nacional.

A campanha terá, portanto, de enfrentar dois movimentos simultâneos: preservar a vantagem de Lula onde ela é mais robusta e disputar os estados nos quais Flávio apresenta maior competitividade.

Com a campanha oficial em andamento e a propaganda eleitoral se aproximando, os dados indicam que o mapa regional será decisivo. Lula começa o segundo turno hipotético com uma vantagem muito mais larga no Nordeste — justamente onde, historicamente, construiu algumas de suas maiores margens eleitorais.

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