Após a cúpula de chefes de Estado do G7, na França, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, realizou uma coletiva de impresa nesta quinta-feira (17/06) e afirmou que não pediu uma reunião bilateral com seu homólogo dos Estados Unidos, Donald Trump, alegando que “há uma negociação” em curso com o governo norte-americano, e que o avanço das relações entre os países se dará por essa via.
Lula classificou como “desaforada” a medida de Washington de incluir as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho na lista norte-americana de organizações consideradas como “terroristas”. “O que ele (Trump) fez foi uma coisa desaforada com o Brasil, e ele sabe disso, é por isso que eu disse que ele continua agindo como imperador”, criticou o mandatário brasileiro, que completou exigindo “respeito à soberania do Brasil”.
O presidente também assegurou que o governo brasileiro entregou às autoridades norte-americanas um documento sobre as ações da Polícia Federal para combater o crime organizado, ressaltando que “são eles {Estados Unidos] que exportam armas para o Brasil, todas as armas que a Polícia Federal apreende no Brasil vêm de Miami, e o estado de Delaware, nos Estados Unidos, faz lavagem de dinheiro de bandidos brasileiros”.
Em seguida, ao enfatizar a entrega de outros documentos sobre as realizações do governo brasileiro, Lula disse que Trump “fala muito e ouve pouco”, e que decidiu que entregará por escrito as propostas a outros mandatários que atuem dessa forma.
“Inclusive, entreguei a ele (Trump) um quarto documento, sobre o acordo que nós fizemos em 2010 com mediação de Turquia e Brasil, que se eles (Estados Unidos) tivessem aceito o nosso acordo não precisariam ter matado o (aiatolá Ali) Khamenei, não precisariam ter bombardeado o Irã”, recordou o presidente brasileiro.
Áudio vazado
Um áudio vazado durante os eventos da cúpula do G7 mostrou uma conversa entre Lula e seu homólogo da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, no qual o brasileiro faz críticas ao governo dos Estados Unidos e seu mandatário.
O áudio foi disponibilizado pela agência de notícias Associated Press e expõe diálogo que ocorreu durante a cúpula realizada na cidade francesa de Évian. Em um dos trechos, Lula teria dito não suportar o “comportamento do governo norte-americano”, e em seguida teria usado o termo “imperador”, o que, no contexto da conversa, seria uma crítica à forma como Trump trata alguns países.

Ricardo Stuckert / PR
No mesmo trecho, segundos depois, o presidente brasileiro acrescenta que “não gosto de briga”, e que o Brasil “não tem divergência com nenhum país”.
Lula não cita o nome de Trump. Porém, em outro momento da gravação, ele critica quem “acha que pode levantar de manhã e dar ordem para o mundo todo”, comentário muito parecido ao que fez, em entrevista publicada semanas atrás, em pergunta sobre sua opinião sobre Trump.
Neste áudio durante a reunião do G7, Lula completa a crítica dizendo que tal postura (supostamente atribuída a Trump) seria “um mau exemplo para a democracia”.
Encontro com Zelensky
Um dos compromissos de Lula na cúpula do G7 nesta quinta foi uma reunião bilateral com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky.
Em mensagem publicada em sua conta na plataforma X, o presidente brasileiro enfatizou que a reunião foi a pedido do ucraniano e informou que o encontro durou 40 minutos. “[Ouvi] suas avaliações sobre as situações atuais do conflito (com a Rússia), das possibilidades de um cessar-fogo e a busca de uma solução diplomática”.
“Expus minha expectativa de que o Conselho de Segurança da ONU possa atuar de forma mais efetiva para encerrar um conflito que já dura mais de quatro anos”, adicionou Lula.
Ao finalizar a mensagem, o mandatário brasileiro afirmou que ele e Zelensky concordaram em entrar em contato novamente nas próximas semanas para manter as conversas a respeito do conflito russo-ucraniano.
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