
Por Ali Nacif
Da Página do MST
Na noite desta sexta-feira (21), cerca de 20 mil pessoas ocuparam a Praça da Estação, em Belo Horizonte, para receber o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e participar do ato de lançamento da candidatura de Patrus Ananias ao governo de Minas Gerais. A mobilização reuniu militantes do MST, movimentos populares, organizações sociais e candidaturas que integram o campo político apoiado pelo Movimento no estado.
Entre bandeiras, cartazes, abraços e palavras de ordem, a Brigada Estadual de Mobilização Popular de Minas Gerais esteve presente na construção da atividade. Formada por militantes de diferentes territórios, a Brigada vem ocupando as ruas de Belo Horizonte desde o início de sua organização, com formação política, trabalho de comunicação e diálogo direto com a população.
A chegada de Lula encontrou uma militância que já vinha construindo sua presença nos espaços públicos da capital. Nos dias anteriores, os brigadistas realizaram ações no Barreiro, São Gabriel, Praça Sete, região do Hospital João XXIII e Viaduto Santa Tereza. O trabalho tem como tarefa central estar no meio do povo, conversar sobre o momento político e apresentar as pautas defendidas pelo MST.
A mobilização na Praça da Estação deu continuidade a esse processo. Ao lado de outras organizações populares, a Brigada participou da construção de um ato que levou milhares de mineiras e mineiros para as ruas em torno da candidatura de Lula à Presidência da República e de Patrus Ananias ao governo de Minas.
O encontro também contou com Marília Campos e Áurea Carolina, candidatas ao Senado, Rogério Correia e Bella Gonçalves, candidatos a deputado federal, e Dr. Bruno Pedralva, candidato a deputado estadual, nomes apoiados pelo MST em Minas Gerais.
Alimentação, educação e o direito de viver

Os discursos realizados durante o ato colocaram no centro temas que fazem parte da vida da classe trabalhadora. A primeira-dama Janja Lula da Silva destacou a importância das políticas públicas de alimentação escolar e da educação em tempo integral como parte de uma rede de proteção que garante que crianças estejam alimentadas, cuidadas e na escola, ao mesmo tempo em que cria condições para que as mulheres possam trabalhar e estudar. Segundo Janja, cerca de 40 milhões de crianças e jovens recebem refeições nas escolas brasileiras.
Ao tratar das mulheres, Janja também defendeu políticas permanentes de proteção e enfrentamento à violência. “Queremos mulheres vivas, saudáveis, mulheres protegidas, dentro e fora de casa, dentro e fora das redes sociais”, afirmou durante o ato.
A fala dialogou com a presença das candidatas Marília Campos e Áurea Carolina no palco. Marília destacou a baixa representação das mulheres mineiras no Senado e apresentou o combate à violência contra as mulheres como uma de suas prioridades. Áurea abordou os impactos da mineração e a defesa dos territórios de Minas Gerais.
Para o MST, discutir alimentação escolar também é discutir o direito à alimentação, a produção de alimentos e a relação entre campo e cidade. A comida que chega à escola tem relação com a terra, com quem produz e com as políticas públicas que garantem a compra e a distribuição dos alimentos.
Essa perspectiva também está presente na trajetória de Patrus Ananias. Antes de integrar o governo Lula, Patrus esteve à frente da Prefeitura de Belo Horizonte, onde políticas de segurança alimentar ganharam centralidade. Durante o primeiro governo Lula, assumiu o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e participou da consolidação do Bolsa Família e da articulação de políticas de segurança alimentar, assistência social e apoio à agricultura familiar.
A experiência construída em Belo Horizonte foi levada para o governo federal. Naquele período, políticas como o Programa de Aquisição de Alimentos aproximaram a produção da agricultura familiar das políticas públicas de alimentação, enquanto o Bolsa Família passou a integrar uma rede de proteção social vinculada também às áreas de saúde e educação.
É nessa trajetória que o MST identifica uma relação entre a candidatura de Patrus e um projeto de governo que coloca a vida da população no centro das políticas públicas. A Reforma Agrária Popular também parte desse princípio: produzir alimentos saudáveis, fortalecer a agricultura familiar e camponesa e garantir que a produção esteja vinculada ao direito de todas e todos à alimentação.
Um projeto construído com o povo

A presença do MST no ato faz parte de uma construção política que coloca a Reforma Agrária Popular, a agroecologia, a soberania alimentar, a participação popular e a defesa dos direitos da classe trabalhadora no centro da disputa sobre os rumos de Minas Gerais e do Brasil.
Para o Movimento, o processo eleitoral também é um momento de diálogo com a classe trabalhadora. A tarefa da Brigada é levar esse debate para as ruas e construir uma mobilização que não se encerra no período eleitoral.
A formação realizada nos últimos dias preparou os militantes para esse trabalho. Nas plenárias foram abordados temas importantes para entender a conjuntura atual e não esquecer de como tudo surge através das relações entre o capitalismo, sistema eleitoral e luta de classes. A atividade também tratou da concentração da terra, da soberania popular, da Reforma Agrária Popular e da necessidade de fortalecer a mobilização popular.
No ato, Patrus apresentou como prioridades para o governo áreas como saúde, educação e o aproveitamento das riquezas minerais de Minas. Também defendeu a manutenção da Cemig sob controle público e a rediscussão da situação da Copasa.
A defesa dos serviços públicos se soma à experiência de Patrus na construção de políticas sociais. Em Belo Horizonte, sua gestão criou a Secretaria Municipal de Segurança Alimentar e fortaleceu restaurantes populares e ações de relação entre agricultura familiar e abastecimento da cidade. Mais tarde, no governo Lula, essa experiência esteve relacionada à construção de políticas nacionais de combate à fome e segurança alimentar.
Lula e a soberania do Brasil
Lula também abordou a necessidade de fortalecer a soberania nacional e ampliar a capacidade do Brasil de produzir conhecimento, tecnologia e riqueza a partir de suas próprias forças.
Ao falar para a juventude mineira, o presidente defendeu o acesso ao ensino superior e à formação em áreas estratégicas. “Eu quero que vocês estudem, que vocês sejam engenheiras, matemáticas”, afirmou, ao defender que o Brasil tenha capacidade de desenvolver sua própria tecnologia e não dependa de outros países.
O presidente também tratou da relação do Brasil com os Estados Unidos e da defesa dos interesses nacionais. A soberania apareceu, assim, relacionada à educação, à indústria, aos recursos naturais e à capacidade do país de decidir seus próprios caminhos.
A fala dialoga com uma das tarefas apresentadas pelo MST em sua análise de conjuntura: fortalecer a soberania popular e nacional diante das disputas políticas e econômicas que atravessam o Brasil e a América Latina.
A Brigada segue nas ruas

O ato na Praça da Estação marcou mais um momento da caminhada da Brigada Estadual de Mobilização Popular de Minas Gerais. Desde a chegada dos militantes, a rotina combina formação, organização e trabalho direto com a população.
A chegada de Lula encontrou uma militância preparada e organizada. Cerca de 20 mil pessoas ocuparam a Praça da Estação, em uma noite marcada pela alegria, pela presença popular e pela unidade das forças que constroem a disputa política em Minas Gerais.
Para o MST, essa mobilização não termina com o ato. A Brigada segue nas ruas, nos bairros e nos espaços onde está a classe trabalhadora. A tarefa é conversar, organizar e fortalecer a mobilização popular a partir das pautas que fazem parte da vida do povo: comida na mesa, educação, saúde, trabalho, direitos, soberania e Reforma Agrária Popular.
Em Minas Gerais, o MST está em movimento. A Brigada Estadual de Mobilização Popular é parte dessa construção e segue organizada para fortalecer a candidatura de Lula à Presidência da República, Patrus Ananias ao governo de Minas, Marília Campos e Áurea Carolina ao Senado, Rogério Correia e Bella Gonçalves à Câmara dos Deputados e Dr. Bruno Pedralva à Assembleia Legislativa.
É o MST nas ruas. É a classe trabalhadora em movimento.
*Editado por Fernanda Alcântara
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