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Lula confronta Trump no G7 e pede combate ao crime ‘com respeito à soberania’ dos países

Em declaração feita durante a cúpula do G7, nesta terça-feira (16/06), o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu o combate internacional ao crime organizado, mas ressaltou que essa tarefa deve ser promovida “com respeito à soberania dos países”.

O argumento de Lula foi manifestado durante evento no qual também estava presente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O país norte-americano anunciou, em maio, a inclusião do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho em sua lista de organizações consideradas como “terroristas”, decisão que foi criticada por Brasília como uma possível ameaça à soberania do país.

Em sua intervenção da cúpula de chefes de Estado do G7, o mandatário brasileiro disse “esse esforço (de combater o crime organizado) deve levar em conta o respeito à soberania dos Estados e não pode ser dissociado de outros ilícitos como a lavagem de dinheiro e o tráfico de armas”.

“Valorizar o diálogo e a cooperação institucional, inclusive por meio da Interpol, contribuirá para a localização de ativos e indivíduos vinculados a essas atividades criminosas”, completou Lula, no evento realizado na cidade francesa de Évian.

Em outro momento do seu discurso, o brasileiro criticou “o protecionismo e o unilateralismo”, que, segundo ele, “ressurgem como respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas”.

“Ficamos aprisionados em dogmas que defendem desregulamentação de mercados, Estado mínimo e austeridade fiscal como fins em si mesmos. O neoliberalismo agravou a desigualdade econômica e a crise política que hoje assolam as democracias”, adicionou.

Elon Musk

Outro tema abordado por Lula no G7 foi a notícia de que o magnata sul-africano Elon Musk se tornou a primeira pessoa a alcançar mais de um trilhão de dólares em patrimônio.

Foto oficial a cúpula de chefes de Estado do G7
Ricardo Stuckert / Presidência da República

Sem citar o nome do empresário, o presidente do Brasil disse que “o primeiro trilionário do mundo é mais rico do que os 46% mais pobres da população mundial. A extrema concentração de riqueza decorre de décadas de políticas pró-bilionários”.

“Nossa tarefa é corrigir as desigualdades de um sistema que produz riqueza em abundância, mas que distribui oportunidades de forma profundamente assimétrica. Precisamos de um sistema financeiro no qual os países não sejam obrigados a escolher entre pagar credores e alimentar suas crianças. Está claro que o desafio não é administrar a escassez, o déficit que enfrentamos é de implementação e de vontade política”, disse Lula.

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