
A abertura do 60º Congresso da UNE (União Nacional dos Estudantes), nesta quinta-feira (17), foi marcada por homenagens aos estudantes que morreram em um acidente de trânsito a caminho do evento em Goiânia (GO). Durante a cerimônia, o presidente Lula sancionou o projeto de lei que destina recursos do Fundo Social à assistência estudantil.
Em reconhecimento às vidas de Welfesom Campos, Leandro Souza, Ana Letícia Araújo e do motorista do ônibus Ademilson Militão, os presentes fizeram um minuto de aplausos. Em seguida, lideranças estudantis leram uma carta ao presidente com reivindicações. Nela, pedem, entre outros assuntos, o enfrentamento à extrema direita, cobram a taxação das grandes fortunas, a isenção do Imposto de Renda para os mais pobres e o fim da escala 6×1.
Na sequência, Lula sancionou o Projeto de Lei Nº 3.118 de 2024, que altera a Lei Nº 12.858/2013, para destinar recursos do Fundo Social do Pré-Sal à Política Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes). A partir de agora ganham reforço financeiro: a Bolsa Permanência, o auxílio financeiro para estudantes indígenas, quilombolas e de baixa renda; a Atenção à Saúde Mental (PAS); e ações de acessibilidade e de promoção da alimentação saudável.
“Qual Brasil querem a partir de 2026?”
Mas não foram cobrados somente os políticos. O presidente Lula, ao discursar, refletiu que o debate político sobre o país deve sair das universidades e ir para as ruas, com os estudantes ocupando papel imprescindível em pensar os rumos da sociedade brasileira a partir de 2026.
“Eu fico imaginando um papel que milhares de jovens como vocês, com muito conhecimento, com muita cultura, podem fazer tentando ajudar a politizar a sociedade brasileira um pouco mais, porque se não ela será enganada pelos mentirosos”, diz.
A avaliação de Lula é de que a UNE e o movimento estudantil devem se voltar às periferias, para que a mensagem sobre as mudanças que almejam ganhe relevância também entre os jovens que hoje não têm as mesmas oportunidades.
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Na visão do presidente, a juventude atual, assim como o restante da população, está muito vulnerável às notícias falsas, o que torna necessário um maior engajamento para impedir retrocessos que se refletem em políticos populares nas redes sociais, mas que são uma tragédia quando assumem um cargo.
“É importante, ao saírem daqui, que comecem a pensar o que vocês querem a partir de 2026. Tem que conversar muito, porque a juventude é muito vulnerável à máquina das empresas digitais. É importante aprender a distinguir a mentira da verdade. Tem muito mais mentira do que verdade e se a juventude não estiver ligada nessa luta e disposta a não repassar bobagem, vamos ter uma eleição com uma guerra da inteligência artificial. Sabemos que o resultado pode ser nefasto. Pode acontecer no Brasil o que aconteceu nos Estados Unidos e na Argentina”, explica Lula.
Ao fazer esta explanação, o presidente liga o alerta sobre as próximas eleições. A cobrança feita aos partidos e movimentos de esquerda é no sentido de se perguntarem como foram capazes de vencer cinco eleições presidenciais, com Lula e Dilma Rousseff, e terem um Congresso Nacional com tão pouca representação, o que impede os avanços progressistas ao condicioná-los à coalizão.
“Será que o povo está nos compreendendo? Será que o povo está nos entendendo? Porque uma estratégia para aprovar tudo que a gente quer é ter uma maioria no Congresso”, reflete.

Investimentos e orçamento fixo
Por sua vez, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação e presidenta nacional do PCdoB, Luciana Santos, destacou o compromisso do governo em investir na pesquisa, ao reajustar bolsa de estudo e também repatriar cérebros: cerca de 2500 cientistas brasileiros que estavam em outros países.
“No início do governo, por decisão do presidente Lula, reajustamos as bolsas do Cnpq e Capes na média de 40%, que há 10 anos não havia aumento. Agora, 15 anos depois, temos a Conferência Nacional de Ciência e Tecnologia no nosso país. […] Foram 3,3 bilhões de investimentos em ciência e tecnologia, correspondendo a sete vezes mais do que foi investido nos quatro anos do governo do inominável [Bolsonaro]”, explica Santos.
Já o ministro da Educação, Camilo Santana, destacou o aumento de R$ 1,4 bilhão para R$ 2,3 bilhões, entre 2022 e 2025, na assistência estudantil, bem como o reajuste em 23% no valor da alimentação escolar dos institutos federais em comparação com o ano passado.
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Segundo o ministro, quando o Congresso Nacional cortou o orçamento para as universidades, o presidente Lula prontamente determinou a recomposição. Dessa maneira, entende que a Educação não pode ficar nessas idas e vindas, sendo necessário um orçamento fixo, como reivindica o movimento estudantil.
“Estamos discutindo para encaminhar um projeto de lei para o Congresso Nacional para garantir sustentabilidade orçamentária para as nossas universidades e institutos federais, para que a gente não precise todo ano enfrentar esse debate dos recursos”, declara Santana.
Manuella Mirella, presidente da UNE, ainda cobrou que o orçamento da Educação fique fora do arcabouço fiscal: “Queremos um orçamento fixo para as universidades federais. Precisamos de respeito à autonomia universitária, com recursos estáveis e dignos para que as instituições possam planejar, inovar e servir o povo brasileiro com a grandeza que ele merece.”
A cerimônia ainda contou com as presenças dos ministros Márcio Macêdo (Secretaria Geral), Margareth Menezes (Cultura), Alexandre Padilha (Saúde) e Rui Costa (Casa Civil), e de deputados, entre eles, Orlando Silva (PCdoB-SP) e Alice Portugal (PCdoB-BA).
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