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Lula destrava 12 anos de espera e entrega maior pacote oncológico do SUS

O presidente Lula Silva visitou nesta sexta-feira, 15 de maio, o Hospital de Amor (HA), em Barretos (SP), e anunciou o maior conjunto de medidas já realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para ampliar o acesso da população ao tratamento oncológico. Acompanhado do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, Lula assinou um pacote de R$ 2,2 bilhões que garante 100% da demanda de medicamentos contra o câncer na rede pública, além de inaugurar o financiamento inédito de cirurgias robóticas pelo SUS e anunciar nova regulamentação do programa Agora Tem Especialistas – Caminhos da Saúde.

Medicamentos que esperavam até 12 anos chegam ao povo

Entre as medidas centrais está a criação de uma nova tabela de financiamento do SUS para 23 medicamentos oncológicos de alto custo, contemplando 18 tipos de câncer — entre eles mama, pulmão, leucemia, ovário e estômago. O anúncio representa um aumento de 35% na oferta de fármacos na rede pública de saúde e beneficiará 112 mil pacientes em todo o Brasil.

Na ocasião, Alexandre Padilha afirmou que o governo está consolidando “a maior rede pública de prevenção, diagnóstico e tratamento de câncer do mundo”. “No câncer, tempo é vida”, destacou o ministro.

Parte desses tratamentos, embora já incorporados ao SUS, aguardava há até 12 anos para chegar de fato à população. Para quem fosse buscar o mesmo tratamento na rede privada, o custo poderia chegar a R$ 630 mil por paciente — um valor inacessível para a esmagadora maioria dos brasileiros.

Dez dos novos medicamentos serão adquiridos diretamente pelo Ministério da Saúde e distribuídos aos estados. Os demais serão disponibilizados via Autorização de Procedimento Ambulatorial (Apac), com financiamento federal e Ata de Negociação Nacional, por meio dos centros habilitados no país. A iniciativa integra o Componente de Assistência Farmacêutica em Oncologia (AF-Onco), política nacional de cuidado contínuo no SUS.

Cirurgia robótica oncológica chega ao SUS pela primeira vez

Outro marco do anúncio é a criação, pela primeira vez na história, do financiamento permanente de cirurgias robóticas oncológicas na rede pública. Para o tratamento do câncer de próstata, o investimento é de R$ 50 milhões, com capacidade para beneficiar cerca de 5 mil homens. A tecnologia robótica permite ao cirurgião maior precisão e melhor visualização das estruturas anatômicas, resultando em menor perda sanguínea e redução da necessidade de transfusões.

Segundo Padilha, a tecnologia permitirá cirurgias menos invasivas, mais precisas e com menor perda sanguínea. “É a inclusão definitiva da cirurgia robótica no Sistema Único de Saúde”, afirmou.

Com foco nas mulheres, o governo também ampliou o acesso à cirurgia de reconstrução mamária. O direito à cirurgia plástica reconstrutiva, que antes se limitava às sequelas do tratamento de câncer, passa a abranger todos os casos de mutilação mamária, total ou parcial. O investimento estimado é de R$ 27,4 milhões por ano — um crescimento de 13% em relação a 2025 — visando a reabilitação física e psicológica integral das pacientes.

Agora Tem Especialistas: veículos, aceleradores e conectividade

O programa Agora Tem Especialistas – Caminhos da Saúde ganhou nova regulamentação e reforço de estrutura. Foram entregues 15 veículos para transporte de pacientes (oito micro-ônibus e sete vans), 22 veículos do SAMU e uma Unidade Móvel Odontológica. Lula adiantou que o Ministério da Saúde distribuirá 3,3 mil veículos acessíveis para cidades de todo o Brasil — parte deles com equipamentos para embarque e desembarque de pessoas com deficiência física, que o próprio presidente testou durante a visita.

Também foi anunciada a compra de até 80 aceleradores lineares, equipamentos essenciais para o tratamento de radioterapia. A aquisição deve ampliar em 25% a oferta desse tipo de tratamento em apenas um ano.

Na área de conectividade e segurança digital, o Ministério da Saúde repassará R$ 129 milhões ao Hospital de Amor e formalizará um Termo de Execução Descentralizada (TED) com o Ministério das Comunicações para a criação da Rede Saúde Brasil de Cibersegurança. A iniciativa integra, com alta capacidade e transmissão segura em tempo real, as unidades de Barretos (SP) e Porto Velho (RO), onde serão realizadas cirurgias robóticas colorretais, ginecológicas e urológicas. O investimento preliminar é de R$ 2 milhões, com vigência de 30 meses.

Centro de pesquisa e formação de profissionais

Lula participou ainda do anúncio da construção do novo Centro de Pesquisa Clínica e Cirurgia Robótica do hospital, que se soma ao Instituto de Treinamento em Cirurgias Minimamente Invasivas (IRCAD), cuja filial brasileira completa 15 anos. Desde 2011, o instituto capacitou mais de 20 mil profissionais, disseminando protocolos cirúrgicos e padrões de excelência para médicos do Brasil e do exterior.

O Hospital de Amor já ocupa posição de destaque no cenário da pesquisa clínica nacional: em 2025, realizou 9.503 atendimentos na área, manteve 233 protocolos ativos e acompanhou 792 pacientes em tratamento. Na cirurgia robótica, a instituição é pioneira entre as filantrópicas do país, com o primeiro sistema instalado em 2014 e 3.889 procedimentos realizados desde então. Com a chegada de um segundo sistema robótico, a média anual de pacientes atendidos saltou de 400 para 680.

“O objetivo é garantir ao povo mais humilde o direito aos mesmos exames que qualquer presidente da República faz em qualquer lugar do mundo”, disse Lula durante a visita.

Um hospital que é símbolo do que o SUS pode ser

Com 64 anos de história, o Hospital de Amor é o maior centro oncológico de atendimento 100% gratuito da América Latina. Com sede em Barretos (SP), a instituição mantém oito unidades de tratamento, 23 unidades fixas de prevenção e 52 unidades móveis em operação no país, alinhando alta tecnologia, pesquisa de ponta e cuidado humanizado no contexto do SUS.

Ao visitar o hospital, Lula reiterou a defesa intransigente do sistema público de saúde e relembrou seu papel durante a pandemia de Covid-19: “Se não fosse o SUS, o Brasil teria perdido o dobro de pessoas.” O presidente defendeu a ampliação contínua dos investimentos na saúde pública, afirmando que governar exige “fazer escolhas” — e que a sua é clara: priorizar quem mais precisa.

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com informações do Governo Federal

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