Em um evento marcado pelo resgate histórico e pela projeção de um “salto de qualidade” para o país, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lançou oficialmente sua candidatura à reeleição neste domingo (2), na convenção partidária do PT na zona norte de São Paulo. Saiba mais na TVT News.
Ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e do candidato ao governo paulista, Fernando Haddad (PT), Lula apresentou um discurso que uniu a defesa das conquistas trabalhistas à necessidade estratégica de fortalecer a defesa nacional e a educação.
Lula ressaltou dois momentos de inclusão na história do Brasil, de Getúlio ao PT
Lula fez uma comparação entre seu governo e o de Getúlio Vargas, destacando que a história do Brasil possui dois marcos fundamentais de inclusão social: o primeiro com Vargas, que instituiu o salário mínimo em 1936 e a CLT em 1943, tirando o povo da “semi-escravidão”; e o segundo com as gestões do PT.
Lula rebateu críticas de que a CLT seria “coisa velha”, defendendo que direitos como férias e jornada de trabalho são essenciais e que sua manutenção depende de sindicatos fortes para garantir contratos coletivos. “Sindicato fraco não faz contrato coletivo”, afirmou, criticando medidas que enfraqueceram a organização dos trabalhadores nos últimos anos.
“Pesquisem e vocês vão perceber que tem dois momentos importantes de inclusão social nesse país. O primeiro do Dr. Getúlio Vargas, que não era um operário, era um fazendeiro com a criação do salário mínimo em 1936, que tirou o povo do abotono para dar um salário. Depois, em 1943, com a criação da CLT que tirou o povo da semiescravidão e deu direito, deu jornada de trabalho, deu férias, deu um monte de coisa para nós que hoje muita gente acha ruim. Ah, CLT é ruim. É tudo coisa velha. Procure alguma coisa mais nova. Procure, veja quem fez alguma coisa depois dele”, disse o presidente.
“Eu nasci criticando a legislação sindical porque era cópia fiel da Carta del Lavoro de Mussolini, mas a idade serve para reparar erros. Não podemos permitir que a essência da mentira e o enfraquecimento do trabalhador vençam a nossa capacidade de organização”, complementou Lula.
“Lulinha Porreta”: Lula dá foco nos planos do quarto mandato
O presidente afirmou que, enquanto no passado o foco era garantir que o povo voltasse a comer, agora é o momento de um “Lulinha porreta”, determinado a realizar o que ainda não foi feito. “Agora que nós estamos com o barco garantido, agora é a hora de dar um salto de qualidade”, declarou, mencionando a intenção de enfrentar barreiras burocráticas que travam programas como o reconhecimento de terras quilombolas — das quais 49% das legalizações ocorreram nos últimos três anos e meio.
“Nesse quarto mandato vocês vão ver: eu não quero o Lulinha ‘paz e amor’, eu quero o Lulinha ‘porreta’. Quero um Lulinha que vai fazer o que a gente ainda não fez, porque o básico nós já cuidamos e o povo já está comendo. Agora que o barco está garantido, é a hora de dar um salto de qualidade e pensar qual país do futuro vamos entregar. Essa eleição serve para definir o que faremos do ponto de vista das coisas que ainda não realizamos. Minha quarta presidência é para mudar muita coisa, resolver o papel da educação e pagar a dívida com os idosos deste país”, afirmou o candidato ao quarto mandato na presidência do Brasil.
Defesa nacional e soberania seguem sendo pauta da campanha de Lula
Reforçando a pauta da soberania nacional, que sofre novo momento de alta no debate público após o novo tarifaço que Trump impôs ao país, Lula defendeu o investimento na indústria da defesa e em tecnologia, como a fabricação de drones para monitorar os 16 mil quilômetros de fronteiras secas do país.
O mandatário criticou a visão de que a esquerda não deve se preocupar com a defesa, citando as vastas riquezas brasileiras, como a Amazônia, 12% da água doce do mundo e as terras raras.
“Eu quero estar preparado para a paz. Quero estar preparado para ninguém se fazer de besta conosco”, afirmou, destacando que o patrimônio mineral do Brasil deve ser explorado e transformado pelo próprio povo brasileiro, sem interferências externas.
“Esse país tem 16.800 km de fronteira seca e 8.000 km de fronteira marítima, além de riquezas como a maior floresta tropical e 12% da água doce do mundo. Precisamos investir na indústria da defesa porque quero estar preparado para que ninguém invada este país ou se faça de ‘besta’ conosco”, disse o presidente.
Ele ainda reforçou a necessidade de tecnologia para a defesa da soberania. “Como vamos controlar 16.000 km de fronteira a pé? Se não tiver drone, você não controla a fronteira. Vou levar a sério essa questão da defesa no meu quarto mandato para garantir que ninguém meta o dedo em nossas terras raras. Esse é um patrimônio do povo brasileiro que precisamos de conhecimento científico para explorar”, disse Lula
Pé-de-Meia e o investimento em educação no quarto mandato de Lula
Na área social, Lula destacou o programa Pé-de-Meia, que já atende mais de 7 milhões de jovens no Brasil, sendo cerca de 971 mil apenas na capital paulista.
Além disso, projetou um plano de 10 anos para resolver definitivamente os gargalos da educação, com foco em pesquisa, matemática e inteligência artificial, visando formar cientistas que atendam às necessidades do país.
“No Brasil já receberam o Pé-de-Meia 7.200.000 jovens para garantir que as meninas e os meninos não desistissem da escola para ajudar o orçamento da família. Muita gente dizia que era gasto, e eu dizia: ‘Educação não é gasto, educação é investimento’. Um preso aqui em São Paulo custa R$ 35 mil por ano, enquanto um estudante em um Instituto Federal custa R$ 16 mil. É muito mais barato investir em educação do que gastar dinheiro com prisão; quem vai para a prisão é esse jovem se a gente não der oportunidade. Sem educação a gente não chegará aonde temos o direito de chegar. Por isso, o plano é garantir que em 10 anos a gente resolva definitivamente o problema da educação nesse país.”
Lula pautou embate contra a extrema-direita
Encerrando sua fala, Lula convocou a militância para a campanha, destacando que o legado de seu governo é o que gera confiança para prometer mais. Ele enfatizou que a eleição é uma luta pela verdade contra a “essência da mentira” propagada pela extrema-direita. “Nós não temos o direito de permitir que a extrema-direita volte a governar esse país”, concluiu, convocando os apoiadores para uma “grande vitória”.
“O dado concreto é que nós não temos o direito de permitir que a extrema direita volte a governar esse país. Nós não podemos permitir que a essência da mentira utilizada pela inteligência artificial venha ganhar uma eleição; neste país, a mentira não prevalecerá”.
“Somos a única candidatura que não tem que contar uma mentira, não temos que inventar nada para dizer ao povo. O que motiva um governo ganhar as eleições é se o seu legado for merecedor de confiança e de respeito; quem fez pode prometer mais”, reforçou Lula.
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