O presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou, nesta quarta-feira (19/08), o compromisso do governo federal em manter os investimentos no Programa Nuclear da Marinha (PNM) e no Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB). A declaração foi feita durante uma visita ao Centro Industrial Nuclear de Aramar (CINA), em Iperó (SP), onde está sendo construído o primeiro submarino brasileiro com propulsão nuclear.
Durante a visita, Lula destacou que o projeto possui importância estratégica para o país e não está restrito à área militar. De acordo com o presidente brasileiro, o desenvolvimento do submarino pode impulsionar diferentes setores, incluindo ciência, tecnologia, energia, saúde e indústria, além de contribuir para a qualificação e permanência de profissionais especializados no Brasil.
“Quando a gente dá continuidade ao submarino, a gente está falando do futuro. A gente fala de um futuro do emprego qualificado, do futuro do enriquecimento de urânio, até para exportar para países que querem utilizar ele para fins pacíficos. Significa o futuro da saúde, significa o futuro da energia nesse país”, afirmou.
Além disso, o mandatário brasileiro também defendeu que o projeto seja tratado como uma iniciativa estratégica e prioritária para o Brasil. Segundo Lula, o conhecimento adquirido durante o desenvolvimento do submarino poderá estimular avanços tecnológicos em diversas áreas.
“Nós não estamos pensando em fazer o submarino só porque é bonito fazer, não. É porque desenvolver o submarino vai desenvolver múltiplas coisas nesse país. Portanto, ele tem que ser prioridade”, disse.
Governo pretende garantir investimentos
O mandatário brasileiro afirmou que o governo federal irá trabalhar para assegurar os recursos necessários para que o projeto tenha continuidade e possa ser concluído. O mandatário brasileiro criticou a falta de regularidade nos investimentos destinados ao programa ao longo dos anos e ressaltou que projetos de tamanha complexidade precisam de planejamento financeiro permanente.
“Nós vamos arrumar os recursos para que a gente termine de uma vez por todas esse submarino”, declarou.
Em sua fala, Lula ainda relembrou que que já havia visitado Aramar em 2007, durante seu primeiro mandato. Naquele período, o Programa Nuclear da Marinha enfrentava dificuldades relacionadas ao financiamento e recebeu novos recursos do governo.
Ao retornar ao centro quase duas décadas depois, Lula destacou que a interrupção dos investimentos pode trazer prejuízos não apenas ao cronograma do submarino, mas também à preservação do conhecimento acumulado no país.
Segundo ele, a formação de engenheiros, pesquisadores e especialistas exige anos de investimento. Sem a continuidade do programa, esses profissionais podem buscar oportunidades de trabalho no exterior.
“Esse submarino não é uma coisa da Marinha. É uma coisa do Brasil”, afirmou.
O mandatário brasileiro também ressaltou a importância de manter profissionais qualificados atuando no país, evitando a perda de mão de obra especializada.
“Se a gente não cuidar de dar continuidade a isso, os nossos engenheiros e os nossos especialistas vão ganhar o mundo à procura de emprego. A gente então estaria formando gente para ir prestar serviço em outros lugares, quando elas deveriam estar prestando serviço aqui no Brasil”, saliento o presidente.

Ricardo Stuckert
Projeto para a soberania
Outro aspecto abordado por Lula foi a relação entre o PROSUB e a soberania tecnológica brasileira. O programa foi estabelecido a partir da parceria estratégica entre Brasil e França, firmada em 2008, e prevê a construção de submarinos em território brasileiro com transferência de tecnologia.
A iniciativa tem como um de seus principais objetivos ampliar a capacidade do Brasil de desenvolver e dominar tecnologias relacionadas à construção e operação de submarinos, fortalecendo a autonomia do país no setor de Defesa.
Para Lula, a soberania nacional depende da capacidade de desenvolver tecnologia própria e de possuir estrutura suficiente para defender os interesses brasileiros.
“A gente não tem soberania nacional porque faz discurso. O discurso é só palavra que o adversário às vezes nem escuta. A gente tem que estar preparado para eles saberem que a gente vai ter força para poder dizer não, que a gente vai ter força para poder dizer que vamos competir”, afirmou.
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