
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva viaja nesta sexta-feira (20) para Bogotá, onde participa da 10ª cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac).
A presença é tratada pelo governo como parte do esforço para sustentar a integração e a unidade regional diante do avanço de unilateralismos, medidas coercitivas e do alinhamento de países aos interesses dos Estados Unidos.
A agenda inclui ainda o 1º Fórum de Alto Nível Celac-África, que reunirá representantes das duas regiões em torno de cooperação econômica, política e social, ampliando a articulação entre países do chamado Sul Global.
Lula foi responsável por recolocar o Brasil na Celac após a saída do país do bloco durante o governo de Jair Bolsonaro, que suspendeu a participação brasileira em 2020.
Desde o retorno, formalizado em 2023 como um dos primeiros atos de política externa do atual governo, o presidente participou de todas as cúpulas do mecanismo, em um movimento contínuo de reativação da integração regional.
Segundo a secretária de América Latina e Caribe do Itamaraty, Gisela Padovan, em um briefing realizado nesta quinta-feira (19), a presença do presidente “apenas confirma o compromisso do Brasil com a integração da América Latina e do Caribe” e com o fortalecimento do regionalismo.
Ela destacou que Lula esteve em todas as reuniões de chefes de Estado desde então, incluindo encontros em Buenos Aires, Bruxelas, São Vicente e Granadinas, Honduras e Pequim.
A avaliação da diplomacia brasileira é que a manutenção desses espaços se tornou ainda mais relevante diante do cenário internacional atual.
“É acreditar que a integração regional é fundamental, ainda mais no mundo de hoje, onde proliferam unilateralismos, medidas coercitivas e atos unilaterais”, afirmou Padovan.
Ao comentar o esvaziamento dos mecanismos regionais, Lula afirmou que a articulação latino-americana já contou com maior amplitude política, inclusive com a participação de governos de diferentes orientações.
“Até Álvaro Uribe, que era considerado de extrema direita, participava ativamente da Unasul”, disse.
Na sequência, o presidente avaliou que a Celac enfrenta um processo de enfraquecimento diante da atual correlação de forças na região. “A Celac praticamente está deixando de existir porque o crescimento da extrema direita está afastando os países”, afirmou.
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