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Macron acusa líderes estrangeiros de ‘comentários estúpidos’ sobre protestos na França

O presidente francês, Emmanuel Macron, acusou seu homólogo Donald Trump e outros líderes estrangeiros de fazerem “comentários estúpidos” sobre os protestos na França com o objetivo de obter ganhos políticos.

Apesar de não ter mencionado o nome do chefe da Casa Branca, ao ser questionado se estava se referindo ao republicano, Macron respondeu “entre outros”. Além disso, afirmou que a “manipulação de informações” levou a “comentários tão inaceitáveis quanto estúpidos, vindos de muitas pessoas, incluindo líderes estrangeiros”.

Desde o último sábado (17/10), a França vive uma onda de protestos contra o alto custo de vida e por melhorias na educação. As centrais sindicais também pedem aumentos de salários e a revisão do orçamento do governo para 2027, considerado prejudicial para os serviços públicos.

Devido à violência de alguns, que causou depredações, roubos e incêndios, Trump acusou “migrantes, jihadistas e comunistas” de serem responsáveis. Além dele, seu aliado, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, também afirmou que a França foi atingida por uma “invasão do islamismo extremista”.

No entanto, Macron disse a jornalistas durante sua visita ao Catar que imagens geradas por inteligência artificial estavam circulando, “retratando cenas que nunca aconteceram na França. Houve pessoas afirmando que fomos invadidos por hordas de migrantes e islamitas, o que é completamente falso”.

Tanto Trump quanto Netanyahu enfrentam pleito eleitoral neste ano. O presidente francês observou que alguns líderes, “em plena campanha eleitoral, seja aqui na região ou do outro lado do Atlântico”, estavam “espalhando ingenuamente narrativas que certos círculos estão claramente tentando promover”.

Eles estavam “usando nosso país para suas próprias campanhas políticas”, disse o presidente francês. “E não precisamos disso. Já temos dificuldades para lidar”.

Novas mobilizações foram convocadas para o próximo sábado (24/10) no centro de Paris pelo movimento dos coletes amarelos e por estudantes, e Macron prometeu impedir qualquer repetição das convulsões do último fim de semana.

“Aqueles que desejam causar desordem nos centros urbanos no próximo sábado serão impedidos de fazê-lo. Não pode haver hesitação alguma no topo do Estado”, disse.

Além disso, insistiu que a França “não precisa de estado de emergência”, afirmando que “tem os meios” para controlar qualquer novo distúrbio. Representantes sindicais se reuniram com o primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, nesta quarta-feira (21/10).

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