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Macron condena violência em protestos na França após mais de 2 mil detenções: ‘injustificável’

O presidente da França, Emmanuel Macron, condenou os episódios de violência registrados durante protestos em diversas cidades do país e prometeu responsabilizar os envolvidos em ataques a prédios públicos e estabelecimentos comerciais.

Em pronunciamento neste domingo (18/10), Macron voltou a condenar as cenas de violência e afirmou que os episódios eram injustificáveis. O presidente anunciou uma revisão para avaliar se houve falhas de inteligência ou de preparação policial antes dos distúrbios.

Ele também defendeu medidas para impedir determinados atos e propôs uma reunião com estudantes, professores, parlamentares, sindicatos e representantes do setor empresarial para discutir respostas às reivindicações sociais.

A mobilização de sábado (17/10) reuniu centenas de milhares de pessoas e terminou com confrontos entre manifestantes e forças de segurança, saques e incêndios. Ao longo dos últimos dias de manifestações, mais de 2 mil pessoas foram detidas, segundo balanços divulgados pela imprensa francesa.

Os atos começaram com reivindicações de estudantes por melhores condições nas escolas e falta de professores, mas se ampliaram para incluir críticas ao aumento do custo de vida, à perda de poder aquisitivo e à deterioração dos serviços públicos. A mobilização também reuniu trabalhadores, sindicatos e participantes ligados ao movimento dos “coletes amarelos“, que protagonizou grandes protestos na França em 2018 e 2019.

Em mensagem publicada nas redes sociais no sábado (17/10), Macron afirmou: “não há lugar para a violência em nossa República”. O presidente disse que os responsáveis por depredar prédios públicos, atacar estabelecimentos comerciais e saquear prefeituras seriam processados e punidos. Também declarou apoio às forças de segurança, que, segundo ele, garantem o direito de manifestação.

Os distúrbios colocaram pressão sobre o governo francês em um cenário de insatisfação social e de aproximação das eleições presidenciais previstas para 2027. A oposição também questiona a atuação do Executivo. O líder da esquerda Jean-Luc Mélenchon rejeitou as acusações de que seu partido, França Insubmissa, teria estimulado a violência e afirmou que o governo não deveria responsabilizar o movimento político pelas ações de grupos envolvidos nos confrontos.

Prisões, incêndios e saques

Em Paris, grupos de manifestantes entraram em confronto com a polícia. Também foram registrados ataques a prédios públicos em diferentes cidades. Em Limoges, no sudoeste do país, um incêndio atingiu a prefeitura histórica. Em Marselha, manifestantes atacaram a sede do governo municipal; em Bordeaux, lojas foram saqueadas.

O balanço divulgado pelo primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, no sábado registrava cerca de 1.200 detenções e 150 policiais e gendarmes feridos. A contagem aumentou durante a sequência de distúrbios. Os números variam conforme o período considerado e a atualização dos levantamentos.

Lecornu atribuiu os episódios mais graves a grupos da extrema esquerda e afirmou que o governo não cederia à violência. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, também acusou grupos organizados de promover ataques a pessoas, instituições e estabelecimentos. As autoridades, no entanto, enfrentam questionamentos sobre a capacidade de antecipar a dimensão dos protestos e sobre a atuação das forças policiais.

A presidente da Assembleia Nacional, Yaël Braun-Pivet, anunciou que proporá a criação de uma comissão de investigação parlamentar. Em comunicado divulgado neste domingo, ela afirmou que o colegiado deverá esclarecer a organização dos grupos envolvidos nos episódios, avaliar a estratégia de manutenção da ordem e apurar eventuais falhas na preparação das autoridades. A comissão também deverá examinar como proteger o direito de manifestação pacífica.

Manifestantes criticam resposta do governo

Embora condenem os saques e os ataques, participantes dos atos afirmam que a mobilização expressa insatisfação com as condições econômicas e com as respostas do governo às demandas sociais.

Em reportagem do jornal francês Le Monde, Sabrine Kharbach, porta-voz da União Estudantil, defendeu a convergência entre diferentes grupos mobilizados. “Macron queria que atravessássemos a rua; nós a atravessamos, mas por uma boa razão: para ocupar a Praça da República e dizer que não nos dividirão”, afirmou, em referência ao local de concentração em Paris.

Ryad Rani, presidente da União Sindical dos Estudantes do Ensino Médio, criticou a resposta das autoridades às manifestações. “Não apostem tão rápido [no fim do movimento], porque, quando a juventude está na rua, é mais difícil fazê-la voltar, sobretudo quando a única resposta que lhe dão é a repressão”, declarou ao Le Monde.

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