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Maioria dos israelenses acreditam que Irã venceu guerra, aponta pesquisa

A grande maioria dos cidadãos israelenses expressou sua rejeição e raiva em relação ao presidente dos EUA, Donald Trump, e ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, após o acordo alcançado entre Washington e Teerã para negociar o fim da guerra.

Uma pesquisa publicada em 21 de junho pela Universidade Hebraica de Jerusalém e pelo Instituto Agam revelou que 92,1% dos israelenses acreditam que a República Islâmica do Irã saiu vitoriosa do conflito armado.

O estudo detalha que 87,8% da população israelense acredita que seu país não conseguiu atingir seus objetivos ou alcançou apenas alguns deles. Os objetivos estabelecidos por Netanyahu e Trump variavam da destruição do programa nuclear iraniano e o fim de sua produção de mísseis balísticos à derrubada do governo de Teerã. 72,5% dos entrevistados afirmaram não acreditar nas alegações do primeiro-ministro sobre progressos significativos.

A pesquisa, realizada entre 17 e 20 de junho, mostra que esse sentimento de derrota atinge 93,1% dos eleitores da coalizão governista liderada por Netanyahu, pelo Ministro da Segurança Nacional Itamar Ben Gvir e pelo Ministro das Finanças Bezalel Smotrich.

Oitenta e seis por cento dos entrevistados mantêm uma atitude negativa em relação aos termos do Memorando de Entendimento assinado na semana passada pelos Estados Unidos e pelo Irã, enquanto 83% acreditam que a campanha de seis semanas contra o território iraniano enfraqueceu a segurança de Israel a longo prazo.

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Primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e presidente Donald Trump
Official White House Photo / Joyce N. Boghosian

A gestão da guerra por Netanyahu foi classificada como “fracasso” ou “ruim” por mais de 56% dos entrevistados, em comparação com 26,5% que a consideraram “boa” ou “excelente”. Esse cenário levou a uma queda no apoio político ao primeiro-ministro, de 40,5% no início de março para 29,4% em junho, comprometendo suas chances de permanecer no cargo até as eleições parlamentares previstas para o outono.

A insatisfação também se dirige a Donald Trump por ter assinado o acordo, apesar de seu apoio histórico a Israel. Sessenta e nove por cento avaliaram a atuação do presidente americano na situação como “fracasso” ou “ruim”, enquanto apenas 10,8% a descreveram como “boa” ou “excelente”.

O jornal britânico The Guardian citou depoimentos de indignação coletiva e reproduziu declarações de Nadav Eyal, colunista do jornal israelense Yedioth Ahronoth, que afirmou que as palavras “choque” e “luto” não descrevem adequadamente o sentimento em setores do establishment israelense.

Em reação ao Memorando de Entendimento, que também exige o fim da agressão contra o Líbano, o Ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, declarou que o Estado de Israel não deveria aceitar o cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã. Ben Gvir exigiu publicamente a continuação das operações militares para demolir casas, eliminar combatentes do Hezbollah e expulsar moradores de vilarejos libaneses.

Os dados da pesquisa refletem que 48,2% dos israelenses desejam retomar uma grande ação militar contra o Hezbollah, incluindo bombardeios em Beirute, uma medida publicamente rejeitada por Trump. 20,9% se opõem à retomada dos combates e 30,9% estão indecisos, em um contexto no qual Israel intensificou seus ataques contra civis libaneses e posições do Hezbollah após a assinatura do acordo bilateral.

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