
Da Página do MST
Cada dia que passa, fica evidente que o Mãos Solidárias não é mais um projeto, mas sim uma realidade consolidada nas periferias urbanas em todo o Brasil. Por meio da solidariedade, o povo que vive nas próprias periferias se organiza em busca de um presente e futuro melhor para suas vidas.
Neste primeiro semestre de 2026, centenas de atividades aconteceram ao redor do país na busca pela solidariedade e melhores condições de vida do povo brasileiro. Reuniões, mutirões, vivências, roçados, marmitaços, alfabetização, formação de militantes, cursinhos populares e muita organização. Confira!

Alagoas
O mês de março marcou o lançamento e abertura das inscrições para o curso de formação em educação popular. Estruturada em três módulos, a iniciativa foi pensada para instrumentalizar militantes, estudantes e lideranças comunitárias com as ferramentas teóricas e metodológicas necessárias.
No mês seguinte, foi realizado o primeiro módulo do curso, que introduziu e compartilhou conceitos, teorias e experiências militantes com todos. A programação contou com a presença de Margarete Pereira, educadora popular e doutora em serviço social.
Em maio, foi realizado um dia de ação solidária na Grota Santa Helena, na periferia de Maceió, onde o Mãos Solidárias foi recebido pelos companheiros da Associação dos Moradores do Complexo de Grotas. Neste dia, foram distribuídas mais de 200 marmitas e dez toneladas de alimentos, além da promoção de atividades educativas e culturais com os moradores.
Bahia
No início deste ano, o Mãos Solidárias participou da celebração da formação de cerca de mil estudantes da Jornada de Alfabetização no território de Feira de Santana. Em março, outra grande comemoração: dezenas de encarcerados do Complexo Penal da Mata Escura também celebraram a conclusão de seus aprendizados. A iniciativa fortaleceu o acesso à educação no sistema prisional, promovendo inclusão, dignidade e novas oportunidades para essas pessoas.
Ainda em março, houve a conclusão da formação da turma de Agentes de Educação Popular em Saúde (AgPopSus), na Baixa de Santa Rita. A formação desses agentes foi voltada ao fortalecimento da educação popular e da atuação comunitária no SUS e no território.
Em junho, organizou uma oficina sobre produção de adubo orgânico a partir de materiais coletados na comunidade Baixa de Santa Rita. A atividade incluiu a limpeza da área, o plantio de mudas e orientações de plantas indicadoras.
Para finalizar o mês de junho, o Mãos Solidárias teve a oportunidade de participar da Feira Estadual do MST e apresentou suas ações nas cidades, fortalecendo o diálogo com o público baiano com a troca de experiências e a ampliação de organizações parceiras.
Brasília
Em junho, a capital do país teve duas importantes atividades envolvendo o Mãos Solidárias: a aula inaugural do Cursinho Popular Neuza Campos, que vai preparar estudantes que queiram ingressar no ensino superior; e também a apresentação da campanha para taxação dos super-ricos, no qual houve um debate sobre justiça tributária com militantes.
Rio Grande do Sul
As gaúchas das cozinhas solidárias e do Instituto Josué de Castro fizeram uma intervenção no centro de Porto Alegre, no dia 8 de março (Dia Internacional das Mulheres) denunciando o alto número de feminicídios que ocorrem todos os anos no Brasil.
Na Páscoa, dezenas de crianças nas periferias de cidades do Rio Grande do Sul foram agraciadas com um final de semana de muita alegria, chocolates e alimentos saudáveis para as famílias em Porto Alegre, Viamão (cidade) e Rubem Berta.
Para a Copa do Mundo, as ruas onde ficam as cozinhas solidárias Dona Beth e Prato Cheio foram pintadas de verde e amarelo na torcida do hexacampeonato do Brasil no mundial. Crianças, jovens, adultos e famílias que por lá residem fizeram um lindo mutirão que deu ainda mais vida ao local!
São Paulo
Este ano, foi criada em São Paulo a Rede Mãos Solidárias. A rede compõe dezenas de movimentos que fazem trabalho de base em diversos territórios e periferias na capital paulistana. O intuito de sua criação é levar os militantes e voluntários de nossa brigada urbana para contribuir com os trabalhos feitos pelas organizações.
Dezenas de pessoas conheceram o Centro Agroecológico Paulo Kageyama, em Jarinu, nas duas vivências que o Mãos Solidárias fez neste primeiro semestre. As experiências vividas com o plantio, colheita e aprendizado no interior de São Paulo formou a Brigada Urbana do MST, que ajudará outras organizações na capital a fazer o trabalho de base nas periferias.
Com as hortaliças e frutas plantadas na primeira vivência, o Mãos Solidárias fez uma feira agroecológica no centro de São Paulo com alimentos a custo simbólico. Além da feira, este dia contou com uma programação cultural e educacional muito rica e diversa para os paulistanos no território.
Maranhão
O Mãos Solidárias Maranhão iniciou suas atividades com os Cafés Solidários, preparados na Cozinha Solidária da Dona Eliane e levados diretamente à população em situação de rua nas praças e espaços públicos de São Luís. Desde o princípio, a ação constituiu muito mais do que a simples distribuição de alimentos: representou um momento de acolhimento, escuta e reafirmação da dignidade de pessoas historicamente invisibilizadas.
Paralelamente às ações de rua, o Mãos Solidárias mantém de forma contínua o Sopão Solidário, preparado na Cozinha Solidária Maria Firmina dos Reis. A cozinha é o coração pulsante do movimento: é ali onde voluntárias e voluntários se reúnem, movidos pelo amor ao próximo e pelo compromisso com a segurança alimentar de quem mais precisa.
O Mãos Solidárias Maranhão viveu um momento histórico com a realização da Formatura da Jornada de Alfabetização. No Maranhão, celebramos um grandioso ato com a formatura de mais de 400 educandos e educandas — homens e mulheres adultos que, muitas vezes, esperaram décadas para ter acesso ao direito fundamental à leitura e à escrita.
Outros Estados
Com solidariedade, trabalho de base, vontade e organização popular, nossos esforços atingiram outros cantos do país como Minas Gerais com as cozinhas solidárias, o Pará com o início dos trabalhos na região norte e o Paraná, que tem fortalecido cada vez mais o trabalho no estado.
Em outros territórios do nordeste, tudo tem sido construído e organizado com populares e militantes. No Rio Grande do Norte, houve um encontro de cozinhas populares solidárias entre os territórios e um cursinho popular para os estudantes que têm interesse em ingressar em uma universidade.
Assim como os potiguares, os cearenses também têm trabalhado muito nas periferias do estado com os cursinhos populares e ainda contou com uma vivência para que o trabalho do Mãos Solidárias fosse mostrado como funciona na prática. O povo organizando o povo!
No Sergipe, o semestre foi construído através de muitas reuniões, entregas de alimentos, participação no encontro estadual do MST e, assim como seus vizinhos, cursinhos populares gratuitos para quem também quer ter acesso ao ensino superior.
Já na terra onde nasceu o Mãos Solidárias, em Pernambuco, diversas atividades têm acontecido. Vivências, roçados, mutirões, formação de agentes ambientais, abertura de uma nova cozinha na periferia e muita solidariedade. A maior delas aconteceu em abril, quando o povo recifense se uniu e organizou ações para que nada faltasse para ninguém, após enchentes tomarem conta da cidade por dias.
BRASIL
Pela primeira vez em seis anos de existência, o Mãos Solidárias teve um encontro para chamar de seu. Aconteceu em Recife e contou com a presença e participação de centenas de pessoas de todo o Brasil que puderam debater e dividir as experiências locais com companheiros das mais variadas regiões do país.
Também na capital pernambucana, ocorreu um dos momentos mais lindos e aguardados pelos jovens e adultos das periferias de todo o país: a formatura da Jornada de Alfabetização. Após um longo percurso, milhares de alunos que tiveram o acesso à educação negado, agora podem ler e escrever. E isso não é o fim para esses educandos, mas apenas o começo de como a educação transforma vidas.
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