A candidata ao Senado por São Paulo Marina Silva (Rede) afirmou, durante o último debate promovido pela EPTV, realizado na quinta-feira (30), que os problemas de segurança pública no estado de SP sob a gestão de Tarcísio não estão resolvidos. Leia em TVT News.
Participaram do encontro Marina, Simone Tebet (PSB), Soninha Francine (Cidadania) e Geraldo Rufino (Podemos). André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP), também convidados, não compareceram ao evento.
Ao abordar o tema, Marina contestou declarações feitas durante a campanha de que São Paulo teria solucionado seus principais problemas relacionados à violência e à criminalidade. A candidata apresentou números sobre ocorrências de crimes contra mulheres e sobre roubos e furtos de celulares para sustentar sua avaliação.
“Cerca de 20% dos furtos e roubos de celulares no Brasil acontecem na cidade de São Paulo”, afirmou Marina durante o debate. Em seguida, mencionou dados sobre violência contra as mulheres. Segundo ela, os registros de estupro haviam aumentado 7% no primeiro semestre e os feminicídios, cerca de 10%.
A candidata também relacionou o debate sobre segurança pública às consequências da violência para as famílias. Ao criticar a afirmação de que a situação estaria resolvida, Marina declarou: “Para as mães que perderam suas filhas, não está resolvido”.
A fala ocorreu em um contexto de disputa eleitoral pelo Senado paulista, que tem a segurança pública entre os principais temas da campanha. O debate da EPTV também abordou direitos trabalhistas, emprego e renda, meio ambiente, apostas esportivas e políticas sociais.
Marina Silva defende políticas sociais e redução da pobreza do governo Lula
Durante o debate, Marina também destacou políticas sociais implementadas durante os governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ao apresentar suas posições sobre a disputa ao Senado, ela afirmou que pretende atuar no Congresso em defesa da continuidade de medidas que considera importantes da administração federal.
Entre os exemplos citados pela candidata estão o Bolsa Família, o programa Pé-de-Meia e mudanças na cobrança do Imposto de Renda para trabalhadores de menor renda.
Marina afirmou que, durante o governo Lula, pessoas que recebem até cinco salários mínimos deixaram de pagar Imposto de Renda. Também citou o Pé-de-Meia, programa de incentivo à permanência de estudantes de baixa renda no ensino médio.
A candidata ainda mencionou a discussão sobre a redução da escala de trabalho 6×1. Segundo Marina, ela participou, como deputada federal, da articulação no Congresso relacionada à proposta de ampliar os dias de descanso de trabalhadores e trabalhadoras.
Bolsa Família foi tema de confronto no debate
Outro ponto abordado por Marina foi o Bolsa Família. Em confronto com Soninha Francine, a candidata defendeu o programa como uma política de transferência de renda que, em sua avaliação, deve funcionar também como mecanismo para ampliar o acesso ao emprego e à autonomia financeira.
Marina classificou o benefício como uma “porta de entrada” para novas oportunidades. Segundo ela, a política deve estar associada à chamada inclusão produtiva, permitindo que beneficiários tenham condições de melhorar sua situação econômica e, posteriormente, deixem o programa quando conquistarem uma fonte de renda.
A candidata afirmou que mais de 700 mil famílias no estado de São Paulo deixaram o Bolsa Família depois de conseguirem trabalho.
Marina também relacionou o programa à autonomia das mulheres. Segundo ela, a transferência de renda pode dar a mulheres em situação de vulnerabilidade maior possibilidade de escolha diante de relações de dependência econômica e de trabalhos considerados inadequados.
A candidata ainda criticou uma iniciativa atribuída ao deputado federal Zé Trovão (PL-SC), que teria recorrido à Justiça contra o reajuste do Bolsa Família. Marina afirmou que o benefício precisava ser atualizado para acompanhar a inflação.
Candidatos ausentes foram citados durante o debate
A ausência de André do Prado e Guilherme Derrite também entrou no contexto das discussões. Os dois haviam sido convidados para o debate, mas não participaram. Segundo informações divulgadas sobre o encontro, ambos alegaram compromissos de campanha.
Pesquisas divulgadas nas últimas semanas mostram um cenário de proximidade entre alguns dos principais candidatos. Levantamento da Quaest divulgado em 29 de setembro apontou Derrite com 18%, Marina e Simone Tebet com 15% cada e André do Prado com 12%.
No debate, Marina encerrou sua participação defendendo sua atuação no Senado em temas relacionados a políticas sociais, direitos trabalhistas, meio ambiente e segurança pública. A eleição para o Senado em São Paulo ocorre em turno único, com os dois candidatos mais votados sendo eleitos.
A discussão sobre segurança pública, entretanto, permanece como um dos principais pontos de divergência entre os candidatos. Marina sustentou que a redução de determinados indicadores criminais não significa que o problema esteja resolvido e destacou especialmente os crimes que atingem mulheres e a população no cotidiano.
Dados oficiais divulgados posteriormente mostram que a situação da segurança em São Paulo apresenta movimentos diferentes conforme o tipo de crime: enquanto homicídios, roubos e latrocínios registraram quedas em determinados períodos de 2026, os registros de estupro aumentaram no estado e na capital.
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