Nesta segunda-feira (17), foi realizada no centro de São Paulo, uma caminhada que marcou o início da agenda eleitoral de Fernando Haddad, candidato ao governo de São Paulo pelo PT. O evento, que teve como tema o apoio das mulheres à Haddad, fez o trajeto curto entre a Praça da República e o Teatro Municipal, e registrou uma face da realidade brasileira: a violência política de gênero.
Ex-ministra do Meio Ambiente e candidata ao Senado, Marina Silva foi alvo de hostilidade de um homem, ainda não identificado. Aos jornalistas, a ministra explicou que havia se afastado do grupo principal da caminhada para poder evitar participar do empurra-empurra e, quando se afastou, sentiu um homem desconhecido agarrando seu ombro e tocando sua barriga, falando palavras hostil até, finalmente, ser interceptado por assessores. Após o episódio, buscou um comércio, onde recebe abrigo, relatou Marina Silva.
“Hoje foi comigo, e eu espero e trabalharei muito para que esses sejam episódios isolados”, declarou a candidata à imprensa. Ainda em comentário sobre o episódio, no carro de som, afirmou: “diante do amor, o ódio recua. Eu não dou um passo atrás. Diante da verdade, a gente não recua, diante da justiça, a gente não recua. Vamos em frente”.
Fernando Haddad também citou o caso e responsabilizou o grupo político que considera apoiar esse tipo de manifestação. “Quando o governante, seja quem for, dá o exemplo do respeito, isso chega em toda a sociedade. Então, não se iludam. Essa intolerância contra as mulheres e os negros nesse país aumentou muito por causa da extrema direita que não respeita as diferenças, não respeita o outro”.
O tema da violência contra as mulheres é considerado central na campanha eleitoral de 2026, tanto nacionalmente quanto nos estados. Isso porque o número de feminicídios cresceu no último ano, com 1.571 vítimas, recorde da série histórica do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, e também pelo fato de que as mulheres representam o grupo eleitoral considerado decisivo para a vitória.
No estado de São Paulo, a revista Carta Capital publicou uma matéria em que aponta que o atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos), destina apenas 18 centavos por mulher nas políticas públicas de combate à violência, enquanto o índice de feminicídios no estado cresceu 70% desde 2022.
Dados da violência
Um levantamento realizado pela Confederação Nacional de Municípios, em 2024, apontou que mais de 60% das prefeitas e vices afirmam já ter sofrido algum tipo de violência política de gênero durante a campanha ou mandato. A pesquisa foi realizada em parceria com o apartidário Movimento de Mulheres Municipalistas.
A Lei 14.192, aprovada em 2021, passou a considerar crime eleitoral a violência política contra as mulheres. São condutas praticadas contra candidatas e detentoras de mandato eletivo que buscam dificultar ou impedir o exercício de suas funções políticas.
Isso inclui não só agressões físicas, como também xingamentos, ameaças, constrangimento, assédio, falta de apoio financeiro para campanhas, limite no tempo de propaganda eleitoral, entre outros. A pena para quem comete o crime é de um a quatro anos de prisão, além de multa.
O Ministério Público Eleitoral possui um grupo de trabalho sobre o tema e aponta que é de responsabilidade também dos partidos a inserção de ferramentas de combate às práticas, já que, além de sofrer violência nas ruas e nas redes por parte dos adversários, o machismo acaba sendo praticado também no interior das legendas.
A 11ª edição da pesquisa nacional de opinião sobre violência doméstica e familiar contra a mulher, realizada pelo Instituto de Pesquisa DataSenado em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência, realizada em 2025, aponta que para 46% das brasileiras as mulheres não são tratadas com respeito no país.