
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou que a transição energética e climática no Brasil precisa colocar o trabalhador no centro das decisões. Em entrevista ao Canal Gov nesta quinta-feira (13), ele defendeu que o país avance para uma economia verde garantindo proteção, saúde, remuneração digna e requalificação profissional diante das transformações aceleradas pelo aquecimento global.
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Segundo Marinho, a elevação das temperaturas já altera diretamente o mercado de trabalho e aumenta o risco de doenças e acidentes. O ministro destacou que essa nova realidade exige mudanças profundas na legislação, nas normas de segurança e na qualificação da mão de obra. “Quando você transita para uma indústria verde, portanto, pressupõe emprego verde, mas como proteger o trabalhador atual? É preciso aqui qualificação, requalificação, pensar também nessa transição que proteja o atual trabalhador e cria as condições para que ele não adoeça”, afirmou.
Riscos à saúde e necessidade de adaptação
Marinho frisou que trabalhadores expostos ao calor — como rurais, instaladores de redes de energia e profissionais que atuam ao ar livre — já vivem situações de risco que tendem a se agravar. Ele citou tecnologias que ajudam a prevenir acidentes, como o aplicativo Monitor IBUTG, desenvolvido pela Fundacentro, que mede estresse térmico e indica quando é necessário interromper atividades.
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“Senão ele pode encurtar a sua vida, ele pode ter vertigem, ele pode ter tontura, ele pode ter um problema sério. Então aqui é preciso que a gente aponte legislação”, disse. Para o ministro, as Normas Regulamentadoras precisam ser atualizadas para responder às novas condições climáticas.
Qualificação e emprego verde
A transição climática também impactará o volume e o perfil das vagas disponíveis. Marinho lembrou que milhões de novos empregos serão criados, mas outros tantos desaparecerão, o que exige forte investimento em qualificação. “Nós vamos transitar para o chamado emprego verde […] e os trabalhadores do mercado atual têm que ter a responsabilidade, esse é o debate que nós estamos fazendo, de prepará-los para esse processo de transição para o novo emprego”, explicou.
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Ele ressaltou ações como o programa Trabalhador 4.0, que oferece capacitação digital gratuita em parceria com a Microsoft, e defendeu atuação coordenada entre Sistema S, estados, municípios e rede SINE para garantir requalificação em escala nacional.
Legislação, remuneração e consciência ambiental
Marinho enfatizou que sustentabilidade também passa por remuneração digna. Ele questionou a ideia de que motoristas e entregadores de aplicativos que utilizam veículos elétricos estariam automaticamente inseridos em um “emprego verde”. “Vai depender da sua remuneração, senão fica falseado o debate das transições”, disse.
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O ministro avaliou ainda que a consciência sobre o impacto das mudanças climáticas no trabalho cresce, mas de forma lenta. Nas negociações coletivas analisadas pelo Ministério, apenas 3,7% dos acordos e 2,5% das convenções abordam questões ambientais — muitas vezes sob a ótica de economia de custos, e não de proteção ao trabalhador.
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com informações da Agência Gov.
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