Após a confirmação do pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que veio a público na semana passada por conta do vazamento de um áudio, o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmou outra informação relacionada ao caso, a de um encontro com Vorcaro, no período em que o banqueiro utilizava tornozeleira eletrônica.
A denúncia de que houve a reunião foi feita pelo Metrópoles e confirmada por Flávio na tarde desta quarta-feira (19). De acordo com o filho de Jair Bolsonaro, a conversa presencial entre ele e Vorcaro ocorreu para que fosse colocado “um ponto final” nas tratativas sobre o financiamento do filme Dark Horse, que conta a trajetória do pai.
Em coletiva de imprensa após uma reunião com integrantes do PL, o senador disse que: “no final de 2025 foi aquele áudio que todos vocês ouviram, que eu peço uma luz sobre a palavra final, sobre o que vai acontecer, porque estava em grande risco do filme ser encerrado. No dia seguinte, ele foi preso. Neste momento, nós vimos ali que deu uma virada de chave, entendemos que a situação era mais grave”.
Segundo informações reveladas pela imprensa e confirmadas por Flávio, o encontro ocorreu em São Paulo, após o dia 29 de novembro, data em que Vorcaro passou a usar a tornozeleira, após ter passado 11 dias preso. Atualmente, ele segue detido, após nova decisão do Supremo Tribunal Federal.
De acordo com o senador, o banqueiro teria repassado R$ 61 milhões para a produção cinematográfica. No áudio enviado por Flávio, que foi revelado pelo The Intercept, o pedido em questão foi de R$ 134 milhões.
O The Intercept também revelou, nesta terça-feira (19), que o produtor-executivo do filme, o deputado federal Mário Frias (PL-SP), enviou um áudio a Daniel Vorcaro em dezembro de 2024 agradecendo o investimento do banqueiro na produção.
“Só te agradecer, meu irmão. Vamos mexer com o coração de muita gente e vai ser muito importante para o nosso país, tá? Preciso, de vez em quando, te falar como as coisas vão andando, tá?”, disse Frias.
Na coluna de Malu Gaspar no jornal O Globo, o marqueteiro de Flávio Bolsonaro, Marcello Lopes, conhecido como Marcelão, é alvo de novas revelações. Segundo a jornalista, a agência Calix, de propriedade de Marcelão, venceu duas licitações durante o governo Bolsonaro, com contratos de R$ 70 milhões por ano. Ele se mantém no cargo da pré-candidatura do PL mesmo após ter recebido R$ 650 milhões de Vorcaro.
Nesta terça-feira (19), o senador Bolsonaro acionou o Tribunal Superior Eleitoral contra a pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, que aponta que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera as intenções de voto no primeiro e no segundo turnos em cenários de disputa contra Flávio, após a divulgação das conversas com o dono do Banco Master.