
Uma megaoperação policial realizada nesta semana desarticulou um dos maiores esquemas de lavagem de dinheiro ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) no mercado de combustíveis do Nordeste. Batizada de Operação Carbono Oculto 86, a ação foi marcada pela integração entre forças estaduais, uso avançado de inteligência policial e ausência total de confronto armado ou vítimas.
Segundo o secretário de Segurança Pública do Piauí, Chico Lucas, em entrevista à CBN, nesta quarta-feira (5), a operação foi resultado do compartilhamento de informações com o Ministério Público de São Paulo, que havia iniciado a investigação. A partir disso, autoridades piauienses identificaram que os mesmos operadores do esquema paulista atuavam no estado.
Esquema de lavagem envolvia rede de combustíveis
Desde 2022, a rápida expansão de uma rede de postos de combustíveis no Piauí chamou a atenção das autoridades. As investigações apontaram fraudes na quantidade e qualidade dos combustíveis, com uso excessivo de álcool e componentes como o Nafta. O fundo Altinvest, associado ao PCC, teria assumido a rede HD local para lavar dinheiro por meio da adulteração e comercialização de combustíveis.
A operação resultou na interdição de 49 postos de combustíveis nos estados do Piauí, Maranhão e Tocantins. Também foi interrompida a montagem de uma grande distribuidora ligada à organização criminosa. Segundo Chico Lucas, trata-se da primeira vez que se identifica um fluxo financeiro do Sudeste para o Nordeste operado por uma célula do PCC dissociada da violência armada.
Investigação aponta uso de fintechs e fuga de líderes
Entre os alvos estão empresários, advogados, contadores e agentes públicos. Um ex-vereador de Teresina teria recebido valores por meio de uma fintech associada ao PCC, transação considerada menos regulamentada e mais difícil de ser rastreada em relação aos bancos tradicionais.
Apesar da dimensão da operação, não houve prisões em flagrante. Os principais líderes estão foragidos, e há suspeita de que vazamentos de informação tenham facilitado a fuga. Um inquérito paralelo foi aberto para apurar essa possibilidade.
Chico Lucas destacou que o sucesso da operação se deve à colaboração institucional e ao trabalho técnico dos investigadores. Ele sugeriu que o modelo da Carbono Oculto 86 pode servir de referência para ações integradas de combate ao crime econômico em outras regiões do país.
Conexão com empresa de senador é citada em relatório
Segundo o ICL Notícias, a empresa Ciro Nogueira Agropecuária Imóveis, do senador Ciro Nogueira (PP-PI), recebeu R$ 63,9 mil em transferências de um posto de combustíveis investigado na operação. Os repasses foram identificados em relatório do Coaf e teriam sido feitos por meio da fintech BK Bank, apontada como peça-chave no esquema de lavagem de dinheiro do PCC.
A operação no Piauí é um desdobramento da investigação iniciada em São Paulo e recebeu o número 86 em referência ao DDD do estado. Segundo a reportagem do ICL Notícias, o senador foi procurado, mas não respondeu aos questionamentos.
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