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Melhoria na aprovação do governo e fragmentação na direita ajudam a explicar crescimento de Lula nas pesquisas

Na próxima sexta-feira (24), será divulgado o resultado da pesquisa Datafolha que irá apresentar dados sobre a preferência dos eleitores para a vaga de presidente da República no primeiro e segundo turnos, além de outros pontos como a aprovação do governo atual. O balanço chega em um contexto de resultados positivos para o presidente Lula, como no caso da última edição da Quaest, publicada na última quarta-feira (15), que colocou o presidente com 12 pontos de vantagem em relação ao adversário mais competitivo, o senador Flávio Bolsonaro.

De acordo com o levantamento da Quaest, no primeiro turno, Lula atingiu 40% dos votos, enquanto Flávio teria 28%; no segundo turno, a diferença ficou em 45% de intenção em Lula contra 37% no filho do ex-presidente Bolsonaro. 

A pesquisa, que foi a última realizada, mostra a maior vantagem de Lula em comparação com balanços de outros institutos, que divulgaram resultados também neste mês, AtlasIntel, BTG/Nexus, Meio/Ideia (todos colocaram Lula à frente, com folga maior do que foi observado nos meses anteriores).

O recente crescimento de Lula nas pesquisas ocorre a partir de múltiplos fatores, segundo analistas. Entre eles, se destaca a crise no campo bolsonarista após a divulgação de um vídeo de Michelle Bolsonaro, que declarou rompimento com o candidato Flávio. Além disso, a aprovação do governo Lula atingiu 48% do eleitorado, índice mais alto desde dezembro de 2025. 

“Atribuo à maturação de algumas políticas públicas do governo que passam a ter mais efeito dentro da opinião pública. Destacaria, por exemplo, o aumento do conhecimento sobre o programa Desenrola 2.0. Além disso, o número de pessoas que consideram que a mudança no Imposto de Renda não teve impacto nos rendimentos diminuiu 11 pontos desde fevereiro. Então, vemos que esse governo está consolidando sua imagem, ainda que seja um movimento lento e gradual”, afirma o cientista social Matheus Toledo.

Coordenador do Núcleo de Opinião Pública, Pesquisas e Estudos (NOPPE) da Fundação Perseu Abramo, ele destaca a fragmentação do setor da direita e o resultado negativo na imagem de Flávio Bolsonaro. 

“Uma pergunta interessante que a Quaest trouxe foi ‘quanto o Flávio é mais moderado em relação à família?’. O índice de percepção de moderação dele despencou 10 pontos nos últimos meses. Então, o Flávio é tido, cada vez mais, como um tipo bolsonarista. E a pesquisa mostra que 46% temem a volta de um Bolsonaro ao poder, enquanto 38% temem que Lula permaneça. Esses números refletem bastante os dados gerais da disputa no momento”, diz Toledo. 

O coordenador do NOOPE, da Fundação Perseu Abramo, destacou ainda que o caso Master é um fator de risco ao desempenho de Flávio na busca pelos votos de eleitores independentes. E que a repercussão dos acontecimentos que levaram ao tarifaço dos Estados Unidos em relação ao Brasil segue mais positiva a Lula do que ao candidato de extrema direita. 

“Desde o primeiro tarifaço, o episódio de participação do Eduardo pressionando o governo Trump para taxar o Brasil é algo muito difícil dele [Flávio] se desvencilhar. Ele tentou transferir essa responsabilidade ao Lula, mas não pegou. Eles mesmos assumiram a paternidade nesse assunto, depois viram que era um tiro no pé e agora querem se descolar”, comenta o cientista político. 

Segundo a pesquisa Quaest, a intenção de voto em Flávio na direita considerada “não bolsonarista” caiu de 82% para 74%. O maior salto na popularidade de Lula ocorreu entre os mais ricos, na faixa de renda acima de cinco salários mínimos, com a aprovação do governo ganhando seis pontos. 

Perguntados sobre a chance de modificar o voto, 65% dos entrevistados disseram que a decisão de voto é definitiva e 35% acreditam que ainda podem mudar de ideia. 

O desconhecimento em relação aos demais candidatos ainda é considerado alto: 44% ainda não sabem quem é Caiado, 50% desconhecem o nome do Zema e 77% afirmam não saber quem é Renan Santos. “A campanha deve mudar esses números” apontou Felipe Nunes, CEO da Quaest.  

A pedido da coluna da jornalista Malu Gaspar, em O Globo, foi feito um recorte dos eleitores que se afirmam indecisos faltando um pouco mais de dois meses para o primeiro turno. Essa fatia do eleitorado é representada principalmente por: mulheres, que moram na região Sudeste, professam a religião católica, têm renda entre dois e cinco salários mínimos e se definem como independentes, sem alinhamento automático nem à esquerda nem à direita.