Notícias

Meta censurou publicações sobre a guerra no Irã a pedido de Israel

A Meta concordou em remover, a pedido de Israel, publicações no Facebook e Instagram que continham mensagens de apoio ao Irã, críticas ao governo israelense, imagens e vídeos sobre as consequências dos ataques de mísseis iranianos, bem como conteúdo relacionado a análises militares, de acordo com o veículo de mídia americano The Intercept.

Segundo documentos obtidos pelo veículo, a empresa removeu parte do material alvo das autoridades israelenses, embora em vários casos não tenha explicado os critérios aplicados ou os fundamentos legais que justificavam essa ação.

A investigação afirma que a Meta atendeu a alguns dos pedidos feitos pelas autoridades israelenses, removendo publicações de suas plataformas sem, em muitos casos, detalhar a base legal ou os critérios usados ​​para tomar essa decisão.

Ver | ‘Israel tem funcionária na Meta acusada de censurar post pró-Palestina’, diz Intercept

O The Intercept informou que a Meta não especificou quantas publicações foram removidas das plataformas, nem emitiu uma declaração oficial sobre a documentação divulgada.

Ver | Facebook e Instagram vão censurar a palavra ‘sionista’, segundo comunicado da Meta

Esse tipo de solicitação não é um incidente isolado, já que Israel já utilizou a empresa de tecnologia para solicitar a remoção de conteúdo. Essa situação alimentou o debate sobre o grau de influência que Tel Aviv exerce sobre as principais empresas de tecnologia americanas.

A investigação indica que Israel também manteve laços de colaboração com a Amazon, o Google e a Microsoft. Segundo o relatório, essas empresas participaram diretamente do apoio às operações militares israelenses na Faixa de Gaza e da moderação ou remoção de publicações relacionadas à Palestina em plataformas digitais.

O relatório contextualiza essas revelações no âmbito dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que começaram em 28 de fevereiro de 2016. Durante essa ofensiva militar, o líder da Revolução Islâmica, o aiatolá Ali Khamenei, vários altos funcionários iranianos e milhares de civis foram mortos.

As solicitações enviadas por Israel à Meta incluíam publicações expressando condolências pelo assassinato de Khamenei, conteúdo que apoiava ataques retaliatórios lançados pelo Irã e contas iranianas que disseminavam análises militares do conflito.

A investigação também observa que a empresa de tecnologia classifica a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, por sua sigla em inglês) como uma “organização perigosa” e que suas políticas proíbem publicações que expressem apoio ou avaliação positiva de suas ações. Conteúdo que endosse, por exemplo, ataques retaliatórios realizados pela IRGC após ataques dos Estados Unidos e de Israel pode ser removido por violar as regras da plataforma.

Populares celebram com réplica de míssil em manifestação de apoio ao governo do Irã em meio à guerra contra EUA e Israel
Mehr

O relatório acrescenta que não há restrição equivalente para publicações que expressem apoio às forças armadas dos Estados Unidos ou de Israel.

Essas revelações somam-se a outros documentos e investigações que descrevem uma estratégia de influência liderada por Israel em vários setores, incluindo pressionar plataformas digitais para remover conteúdo, financiar viagens para legisladores dos Estados Unidos e investir em universidades e outros espaços formadores de opinião.

Além disso, inclui campanhas de comunicação com influenciadores pagos e intensa atividade de lobby no Congresso dos Estados Unidos, utilizando recursos financeiros significativos para influenciar a política externa de Washington e a condução do conflito israelo-palestino.

Durante a ofensiva Estados Unidos-Israel contra o Irã, escolas, hospitais e outras infraestruturas civis foram bombardeadas. Entre os incidentes mais graves, destaca-se o ataque dos Estados Unidos a uma escola primária na cidade de Minab, no sul do Irã, no qual mais de 160 crianças foram mortas no primeiro dia da agressão israelense-americana.

Números citados pelo The Intercept, com base em dados da Organização de Medicina Legal do Irã, indicam que o número de mortos chegou a 3.519, incluindo 3.002 homens e 517 mulheres, segundo um comunicado divulgado em 22 de junho pelo porta-voz do judiciário iraniano, Asqar Jahangir.

O post Meta censurou publicações sobre a guerra no Irã a pedido de Israel apareceu primeiro em Opera Mundi.