
O Sindicato dos Metroviários de Pernambuco (Sindmetro-PE) se reuniu nesta terça-feira (4) com o vice-presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região (TRT-6), Eduardo Pugliesi, e com representantes da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU). O encontro ocorreu na sede do tribunal, no Recife, e teve como objetivo discutir alternativas para encerrar a greve por tempo indeterminado iniciada na segunda-feira (3).
Durante a reunião, o sindicato apresentou o Plano Emergencial de Recuperação do Metrô do Recife, que exige investimentos imediatos e reformas estruturais para garantir a segurança, a regularidade e a qualidade do sistema.
CBTU terá 30 dias para responder às demandas
O TRT-6 solicitou que a CBTU analise o plano apresentado e dê uma resposta concreta em até 30 dias sobre as medidas mais urgentes para recuperar o metrô. O tribunal também recomendou que a categoria avalie a possibilidade de suspender a paralisação enquanto aguarda o retorno da empresa.
A decisão, porém, será tomada somente após a assembleia dos metroviários, marcada para esta quarta-feira (5), às 18h. O local do encontro será divulgado pelo Sindmetro-PE nas próximas horas.
“Esperamos uma resposta concreta, não protelação”, diz sindicato
Segundo o presidente do Sindmetro-PE, Luiz Soares, o plano apresentado mostra “um diagnóstico real e detalhado” da precariedade do sistema.
“O metrô carece de manutenção urgente. Os equipamentos estão desgastados e a segurança de trabalhadores e usuários está em risco. Esperamos uma resposta concreta em 30 dias — e não aceitamos protelações”, afirmou.
Soares destacou ainda que a luta da categoria é por um metrô público, seguro e de qualidade, e criticou a falta de políticas públicas consistentes para o transporte sobre trilhos.
Mobilização continua nas ruas do Recife
Como parte do movimento grevista, os metroviários realizam nesta quarta-feira (5) uma concentração às 14h, em frente à Estação Central do Recife, seguida de caminhada pelas ruas do centro. O ato reforça as reivindicações por reestruturação do sistema e valorização dos trabalhadores.
A greve teve início após um incêndio em um trem da Linha Centro, no dia 25 de outubro, que por pouco não causou vítimas. O episódio evidenciou o estado crítico do sistema e motivou o pedido de intervenção urgente do governo federal.
“Imagina se esse trem pegasse fogo no horário de pico, com mil pessoas a bordo? Poderíamos ter tragédias. É preciso agir agora”, alertou o presidente do sindicato.
Contexto: descaso e resistência à privatização
O Sindmetro-PE atribui o sucateamento do Metrô do Recife à falta de investimentos federais desde 2016, durante os governos Temer e Bolsonaro, e critica o governo Lula por ainda não ter revertido o quadro. A entidade também repudia a proposta de privatização defendida pela governadora Raquel Lyra (PSDB), que, segundo o sindicato, “ataca os trabalhadores em vez de cobrar recursos da União”.
“O metrô do Recife é um serviço essencial e estratégico para a mobilidade da Região Metropolitana, mas há anos vem sendo sucateado pela falta de recursos e pela ausência de política pública consistente. A nossa luta é para garantir um metrô público, seguro e de qualidade para toda a população”, concluiu Soares.
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