O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a mirar a política brasileira ao defender uma aliança da extrema direita latino-americana e citar as eleições de outubro no Brasil como parte da disputa regional contra a esquerda. A manifestação ocorreu na quinta-feira (03/09), durante o Foro de Madri, em Santiago, no Chile, e voltou a repercutir neste sábado (05/09).
No discurso, Milei afirmou que a direita precisa aprofundar seus vínculos internacionais para enfrentar uma esquerda que, segundo ele, está organizada há décadas e teria ocupado instituições, universidades e meios de comunicação. A AFP informou que o presidente argentino apresentou as recentes vitórias eleitorais de forças conservadoras na região como parte de um movimento que deveria ser ampliado.
Ao mencionar o cenário brasileiro, Milei indicou que espera uma mudança política no país depois das eleições de outubro. A declaração ocorre enquanto o próprio presidente argentino já assumiu posição pública na disputa brasileira ao apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A aproximação de Milei com a campanha de Flávio ganhou forma mais explícita em julho. No dia 25 de julho, Milei participou do ato de lançamento da candidatura de Flávio em São Paulo. O argentino atacou Lula durante o evento e manifestou apoio ao senador brasileiro.
A presença de Milei no ato provocou uma reação diplomática do governo brasileiro, que posteriormente decidiu retirar seu embaixador de Buenos Aires para consultas.
Milei e seus reiterados ataques a Lula
A participação na campanha brasileira não foi o primeiro confronto público de Milei com Lula. Em julho de 2024, durante sua primeira visita oficial ao Brasil como presidente argentino, ele participou da CPAC Brasil, evento organizado pelo campo conservador e ligado ao bolsonarismo.
Na ocasião, evitou mencionar Lula nominalmente em seu discurso, mas já havia chamado anteriormente o presidente brasileiro de “corrupto comunista” e se recusava a pedir desculpas pela declaração.
A relação entre os dois presidentes se deteriorou desde então. Em agosto deste ano, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou ao jornal argentino Clarín que a Argentina precisaria interromper as agressões dirigidas a Lula e a instituições brasileiras para que as relações bilaterais fossem normalizadas. A declaração ocorreu depois de novos ataques de Milei ao presidente brasileiro e ao Supremo Tribunal Federal (STF).
A atuação de Milei em 2026 também passou a ser relacionada, no Brasil, a uma articulação internacional mais ampla em torno da candidatura de Flávio Bolsonaro.
O próprio Milei agora procura apresentar essa atuação dentro de uma estratégia regional. No Foro de Madri, ele citou como exemplos do avanço da direita os governos e movimentos conservadores de países como Chile, Colômbia e Peru. O evento reuniu lideranças e organizações da direita e da extrema direita internacional e teve como anfitrião o presidente chileno José Antonio Kast.
O post Milei cita eleição brasileira ao convocar direita latino-americana contra esquerda apareceu primeiro em Opera Mundi.