A visita do presidente da Argentina, Javier Milei, a São Paulo neste sábado (25/07), consolidou a avaliação, dentro do governo federal, de que sua passagem pelo Brasil serviria unicamente à articulação da extrema direita na região.
Na convenção nacional do PL, evento que serviu de lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, Milei reforçou o tom político da viagem ao fazer declarações atacando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Durante o evento realizado no Pacaembu, o argentino afirmou que Flávio Bolsonaro deve “parar com essa palhaçada socialista”, disse esperar que “o socialismo chegue ao fim no Brasil” nas eleições de outubro e voltou a associar Lula ao “comunismo” e ao Foro de São Paulo.
Ao mencionar Moraes, criticou a decisão que impediu sua visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar, chamando-o de “lixo careca”.
Na manhã deste sábado, Milei foi recebido pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), no Palácio dos Bandeirantes, onde recebeu a Ordem do Ipiranga, a mais alta honraria concedida pelo governo paulista.
Para a cerimônia, o tradicional tapete vermelho foi substituído por um azul, em referência à chamada “onda azul”, expressão utilizada por lideranças da direita para simbolizar o avanço desse campo político na América Latina. Segundo o governo paulista, a mudança teria sido feita para homenagear as cores da bandeira argentina.
Após reunião fechada à imprensa, Tarcísio afirmou, em nota, que a Argentina é uma parceira estratégica para São Paulo. O governador também apresentou a Milei o projeto do novo centro administrativo do governo paulista.
Do Palácio dos Bandeirantes, Milei seguiu para a convenção nacional do PL, realizada no Pacaembu, que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. Durante o evento, o presidente argentino dividiu o palco com o senador e chegou a fazer sua tradicional dancinha, ao lado de Flávio, ao som de uma música de rock.
A aproximação entre Milei e a família Bolsonaro vem se intensificando nos últimos meses. No fim de junho, o presidente argentino recebeu Flávio Bolsonaro em Buenos Aires e afirmou que a “onda azul” chegaria ao Brasil pelas mãos do senador.
Antes da chegada de Milei, interlocutores do governo Lula minimizaram a falta de caráter bilateral da visita do mandatário argentino, conforme revelado na última sexta-feira (24/07) pelo Brasil de Fato.
As fontes consideram que a presença de Milei dialoga principalmente com um público já alinhado ao bolsonarismo e busca conferir legitimidade internacional ao campo conservador brasileiro, sem potencial de alterar o cenário político nacional. Não houve solicitação de encontro de Milei com autoridades federais.

Presidência da Argentina
Peru e Colômbia
Depois do Brasil, Milei seguirá sua série de viagens pela América do Sul com ao menos outras duas paradas, em Lima, no Peru, e em Bogotá, na Colômbia.
Na capital peruana, Milei deverá participar, no dia 28 de julho, da cerimônia de posse da líder ultraconservadora Keiko Fujimori, eleita presidente do país andino.
Após a passagem por Lima, o presidente argentino deve retornar a Buenos Aires, para viajar novamente no dia 7 de agosto, dia em que acompanhará outra cerimônia de posse, também de um líder de extrema direita: Abelardo de la Espriella, que assumirá o poder na Colômbia.
Segundo o diário argentino Página/12, Milei pretende viajar a Quito, no Equador, logo após o evento em Bogotá, para uma reunião com o presidente Daniel Noboa, mas esse encontro ainda não foi confirmado nem pelos canais oficiais da Casa Rosada nem pelos perfis do mandatário argentino nas redes sociais.
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