O ministro de Assuntos da Diáspora de Israel, Amichai Chikli, admitiu que seu governo articulou com Eduardo Bolsonaro uma campanha de influência no Brasil para defender um soldado israelense acusado de crimes de guerra e atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A declaração revela que o governo de Benjamin Netanyahu aciona a família Bolsonaro para atuar politicamente no Brasil e atacar Lula, hoje adversário de Flávio na disputa pela Presidência.
“Recorremos aos nossos amigos no Brasil, a Eduardo Bolsonaro, filho de Jair, o ex-presidente, e irmão de Flávio, que agora concorre à Presidência”, afirmou Chikli.
O ministro contou que sua pasta entregou a Eduardo, já traduzido para o português, um material produzido contra a Fundação Hind Rajab, organização que busca responsabilizar judicialmente militares israelenses envolvidos no genocídio na Faixa de Gaza.
“Ele impulsiona isso em suas redes e também na CNN Brasil. Criamos uma campanha inteira contra a Fundação Hind Rajab no Brasil por meio dos nossos amigos”, relatou.
Chikli também admitiu que a operação tinha um objetivo político dirigido contra o governo brasileiro. Segundo ele, a mobilização permitiu esvaziar as acusações contra o militar e apresentar Lula como aliado de uma organização libanesa.
“Todas essas acusações [contra o soldado genocida em férias no Brasil] e toda essa tentativa são esvaziadas, e constrangemos Lula como apoiador do Hezbollah”, declarou. Em seguida, o ministro apresentou a ação no Brasil como “um exemplo de algo muito concreto e prático”.
Soldado deixou o Brasil
A campanha mencionada por Chikli foi desencadeada em janeiro de 2025, depois que a Justiça Federal determinou que a Polícia Federal investigasse o soldado israelense Yuval Vagdani, que passava férias no Brasil.
A decisão foi tomada a partir de uma representação da Fundação Hind Rajab. A organização apresentou imagens, vídeos e dados de geolocalização que, segundo seus advogados, indicavam a participação de Vagdani na destruição de um conjunto residencial em Gaza.
A ordem judicial não determinava a prisão do militar, mas a abertura de uma investigação. Vagdani deixou o Brasil antes de ser interrogado, em uma operação acompanhada pelo governo israelense.
O ministério das Relações Exteriores de Israel confirmou na época que ajudou o soldado e sua família a sair do país de forma “rápida e segura”.
Chikli procurou Eduardo Bolsonaro durante o episódio e enviou material contra a Fundação Hind Rajab. Em carta divulgada pelo então deputado, o ministro atribuiu a apuração determinada pela Justiça ao governo Lula e acusou o Brasil de promover uma “perseguição contra israelenses”.
Eduardo levou a versão israelense às redes sociais e à imprensa. Posteriormente, afirmou que havia ajudado a encerrar o caso contra Vagdani. A imprensa israelense também atribuiu ao integrante da família Bolsonaro papel central na mobilização contra a investigação.
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