Morreu nesta terça-feira, 8 de setembro, aos 76 anos, a professora emérita da Universidade Federal do Pará, pesquisadora, artista e militante e cofundadora do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa) Zélia Amador de Deus. Zélia fez parte de uma geração de mulheres negras que, desde os anos 1980, enfrentou de maneira muito direta a violência, o racismo e a ausência de direitos que marcam a vida da população negra brasileira.
Desde que ingressou no curso de Letras da UFPA, em 1971, viveu intensamente as transformações ocorridas no Brasil no período da luta contra a ditadura e a redemocratização. A arte, a universidade e o movimento negro, na vida de Zélia, se encontrariam continuamente e deixariam marcas importantíssimas na vida cultural de Belém.
Em 2001, integrou a comitiva brasileira que participou da III Conferência Mundial contra o Racismo, em Durban, na África do Sul, momento decisivo para o movimento negro brasileiro e para a afirmação, no plano internacional, de pautas que vinham sendo construídas havia muitos anos no país.
A militante da Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen), Nazaré Cruz, afirma que Zélia deixa um legado imensurável para o movimento social negro brasileiro. “A história de vida dela se confunde com a de lutas e conquistas do Movimento Negro. Zélia dizia que ajudou a pintar a universidade de povo, pois foi uma das precursoras na implantação da Política de Ações Afirmativas na UFPA, para estudantes Negros, quilombolas e Indígenas”, pontua.
Um dos gestos mais recentes de Zélia na Universidade Federal do Pará (UFPA) foi plantar um baobá. Cercada por amigos e familiares, ela viu aquela pequena muda ser colocada na terra da Universidade à qual dedicou mais de cinco décadas de sua vida. Uma imagem que sintetizar, de maneira tão delicada, a trajetória da professora. O baobá é uma árvore conhecida por atravessar o tempo, associada à ancestralidade e à memória de povos africanos e afrodescendentes